O Brasil registra situações graves, que atingem sua população, tais como inundações, deslizamentos de terra, rompimentos de barragens, grandes acidentes. Cada vez mais é reconhecida a relevância da atuação de profissionais da Psicologia em contextos de riscos, emergências e desastres. Assinale a opção que melhor descreve a importância da contribuição da Psicologia nessas situações.
- A)As vítimas de desastres desenvolvem o Transtorno de Estresse Pós-Traumático e necessitam de intervenção individual psicoterápica e medicamentosa.
Errada, porque nem toda vítima de desastre desenvolve TEPT e a intervenção não se limita a psicoterapia individual e medicação.
- B)As populações já vulneráveis ou vulnerabilizadas pela situação de emergência e desastres precisam de assistencialismo para se recuperar de suas perdas humanas e materiais.
Errada, porque a atuação psicológica não é assistencialismo, mas cuidado técnico, ético e articulado em rede.
- C)A Psicologia vai compor a rede de cuidados em intervenções que vão desde a prevenção até a recuperação no pós-desastre, atuando conjuntamente com diferentes setores.
Certa, porque a Psicologia atua de forma integrada, da prevenção à recuperação, em conjunto com outros setores.
- D)O luto caracteriza-se enquanto uma reação psicopatológica frente ao fenômeno de perda de referências afetivas significativas decorrente da situação de desastre.
Errada, porque o luto é uma प्रतिक्रिया humana esperada diante da perda e não, por si só, um transtorno psicopatológico.
- E)As intervenções psicoterápicas breves e de psicoeducação permitem explorar o modo como a pessoa experimentou as crises e os eventos pregressos de sua vida infantil.
Errada, porque esse tipo de abordagem remete a clínica individual clássica e não traduz a atuação em desastres, que é mais ampla e contextual.
Gabarito: C
Em situações de risco, emergências e desastres, a Psicologia não entra só para “apagar incêndio” depois que tudo aconteceu. Ela atua em várias frentes: prevenção, preparação, resposta imediata, apoio psicossocial e reconstrução no pós-desastre. A ideia central é reduzir sofrimento, fortalecer redes de apoio e ajudar pessoas, grupos e comunidades a retomarem o funcionamento possível após o evento crítico. Por isso, a atuação do psicólogo nesses contextos é articulada com outros setores, como Defesa Civil, saúde, assistência social e proteção civil. Não é uma atuação isolada, nem limitada a psicoterapia individual. Em geral, o trabalho inclui escuta qualificada, primeiros cuidados psicológicos, orientação, suporte comunitário e encaminhamentos quando necessário. O gabarito é a letra C porque ela descreve exatamente essa lógica de rede e continuidade do cuidado: da prevenção até a recuperação, com atuação intersetorial. Isso está em sintonia com as diretrizes brasileiras de atuação em desastres e com a compreensão contemporânea de que saúde mental nesses cenários depende também de ações coletivas e territoriais. As demais alternativas caem em reducionismos. Nem toda vítima desenvolve TEPT, luto não é sinônimo de psicopatologia, e assistência em desastre não é assistencialismo. A Psicologia entra para ampliar cuidado e autonomia, não para transformar todo sofrimento em diagnóstico.