Judith Butler, que se destaca como uma das principais autoras alinhadas às teorias pós-modernas de gênero, afirma que:
- A)gênero é o conjunto dos sentidos dinâmicos construídos nas relações de poder que sustentam as interações entre homens e mulheres e que se assenta sobre a diferença sexual natural;
Errada: apresenta gênero como algo assentado sobre uma diferença sexual natural, o que vai contra a crítica de Butler ao essencialismo biológico.
- B)gênero é o resultado das pressões ambientais e socializatórias normais heterossexuais decorrente da prevalência do significante falo;
Errada: mistura pressão social com referência ao falo, aproximando-se mais da psicanálise, mas não expressa a tese butleriana da performatividade.
- C)a sexualidade seria uma extensão da natureza biológica (anatômica) que garante (pela complementaridade) a perpetuação da espécie;
Errada: trata sexualidade como extensão da biologia e da complementaridade natural, visão oposta à desconstrução proposta por Butler.
- D)gênero se define como ato performativo de nomeação que faz existir a diferença anatômica/sexual e as possibilidades de relações entre os seres humanos;
Certa: reproduz a ideia de performatividade, isto é, que gênero é produzido por atos e nomeações que constroem a diferença sexual e suas relações.
- E)os gêneros (masculino/ feminino) e seus papéis decorrem da existência de sexos biológicos (macho/fêmea) que se complementam para perpetuação da espécie humana.
Errada: afirma que os papéis de gênero decorrem diretamente do sexo biológico, posição essencialista que Butler contesta.
Gabarito: D
Judith Butler é uma autora central das teorias pós-modernas e queer de gênero, e sua ideia principal é que gênero não é uma essência natural pronta, mas algo produzido e repetido socialmente. Em vez de pensar homem e mulher como identidades fixas dadas pela biologia, Butler mostra que essas categorias ganham sentido por meio de atos, discursos e normas que vão sendo reiterados no cotidiano. Para ela, o gênero é performativo: ele não apenas expressa uma identidade anterior, mas ajuda a produzi-la. Ou seja, as práticas, falas e gestos que repetimos acabam fazendo existir aquilo que chamamos de masculino e feminino, dentro de uma matriz cultural que organiza o que parece "natural". Por isso, a alternativa D está correta ao dizer que gênero se define como ato performativo de nomeação que faz existir a diferença anatômica/sexual e as possibilidades de relações entre os seres humanos. A ideia de Butler é justamente criticar a noção de que a diferença sexual é um dado bruto e neutro, mostrando que ela também é interpretada e normatizada socialmente. As demais alternativas seguem uma linha mais biologizante, essencialista ou clássica da sociologia/psicanálise, e não a visão pós-estruturalista de Butler. Em prova da FGV, vale ficar atento: quando aparecer "performatividade", "norma" e "construção discursiva", a banca está piscando para Butler.