Baseado em boas práticas em entrevistas e em inúmeros estudos empíricos, o protocolo NICHD é uma técnica muito usada ao redor do mundo na avaliação de casos de suspeita de abuso sexual infantil. Faz parte das estratégias desse protocolo
- A)a aplicação prévia de testes psicológicos para avaliação da memória e da linguagem para adequação do instrumento ao desenvolvimento cognitivo da criança.
Errada: o protocolo NICHD não depende de testes psicológicos prévios para adaptar a entrevista, e sim de uma estrutura padronizada de perguntas e condução.
- B)a criação de um ambiente descontraído e de apoio na fase substantiva da entrevista para estabelecer o rapport entre a criança e o entrevistador.
Errada: o rapport é construído no início da entrevista, e não na fase substantiva, que deve concentrar a coleta do relato sem desvios desnecessários.
- C)a utilização de questões abertas como a principal estratégia de estimulação da evocação livre por parte da criança de acontecimentos da sua vida.
Certa: o NICHD tem como estratégia central o uso de perguntas abertas para favorecer a evocação livre e reduzir a indução de respostas.
- D)a opção prioritária por questões de múltipla escolha ou questões sugestivas para facilitar a evocação dos fatos pela criança e evitar distrações.
Errada: perguntas de múltipla escolha e sugestivas são justamente evitadas, porque aumentam o risco de contaminação do relato infantil.
- E)o cuidado em utilizar palavras diferentes das usadas pela criança e de evitar referência aos detalhes mencionados por ela para não contaminar as memórias referentes ao evento.
Errada: o protocolo busca acompanhar a linguagem da criança e explorar seus termos e detalhes com cuidado, não evitá-los por completo.
Gabarito: C
O protocolo NICHD é um roteiro de entrevista forense muito usado em casos de suspeita de abuso sexual infantil porque busca reduzir sugestões, aumentar a qualidade do relato e respeitar o ritmo da criança. A ideia central é simples: primeiro criar um clima mínimo de conforto e, depois, colher o relato com o máximo possível de espontaneidade, sem “puxar” respostas na marra. Por isso, a técnica privilegia perguntas abertas, como “me conte o que aconteceu” ou “e depois?”, deixando a criança narrar livremente. Quanto mais aberta for a pergunta, menor o risco de contaminar a memória ou induzir respostas. Esse cuidado combina com boas práticas da psicologia do testemunho e da entrevista investigativa, muito difundidas na doutrina e em pesquisas empíricas sobre memória infantil. O gabarito é a letra C porque o NICHD usa a evocação livre como eixo principal da coleta de informações. Em vez de engessar a fala da criança com alternativas prontas, o entrevistador estimula um relato espontâneo e só depois, se necessário, faz perguntas mais específicas, sempre com cautela. Em casos assim, a regra de ouro é: primeiro ouvir, depois clarificar. As outras alternativas trocam essa lógica por estratégias que o protocolo justamente evita. O NICHD não aposta em testes prévios para “ajustar” a entrevista, não prioriza perguntas sugestivas e também não recomenda trocar as palavras da criança por outras mais “neutras” a ponto de se afastar do que ela relatou. O foco é escuta qualificada, sem contaminação do relato.