O consumo de crack é um problema com impactos na saúde pública, na segurança pública e na assistência social. Com relação a essa situação, é correto afirmar que:
- A)a abordagem do usuário de crack em situação de rua busca a adesão ao tratamento compulsório no CAPS ad;
Errada, porque a abordagem em saúde mental não busca adesão ao tratamento compulsório como regra, mas sim cuidado em rede, com prioridade para o vínculo e para intervenções proporcionais.
- B)o uso do crack é considerado um crime, cabendo a aplicação ao usuário de pena de detenção em hospital de custódia;
Errada, porque o uso de crack não é crime e não gera pena de detenção em hospital de custódia; o foco é assistência em saúde, não punição penal ao usuário.
- C)o atendimento multidisciplinar ao usuário de crack contempla também suas necessidades psicológicas e socioeconômicas;
Certa, porque o cuidado ao usuário de crack deve ser multidisciplinar e considerar também demandas psicológicas, familiares e socioeconômicas.
- D)a reforma psiquiátrica preconiza a internação dos dependentes químicos de crack em comunidades terapêuticas;
Errada, porque a reforma psiquiátrica brasileira privilegia cuidado em liberdade e serviços substitutivos, não internação como regra em comunidades terapêuticas.
- E)o efeito agudo do crack se manifesta como um estado de depressão, letargia, compulsão alimentar, sonolência e relaxamento.
Errada, porque esse quadro descreve a “crash” ou fase de abstinência de estimulantes, e não o efeito agudo do crack, que costuma envolver euforia, alerta, agitação e menor necessidade de sono.
Gabarito: C
O crack é uma substância psicoativa de alto potencial de dependência, associada a vulnerabilidade social, agravos clínicos e risco aumentado de danos para o próprio usuário e para terceiros. Por isso, o enfrentamento do problema não pode ficar preso só à lógica policial ou só à lógica médica: ele exige cuidado em rede, com saúde, assistência social e, quando necessário, proteção social mais ampla. No SUS, especialmente na Rede de Atenção Psicossocial, o atendimento ao usuário de crack deve ser integral e multiprofissional. Isso significa olhar para sintomas psiquiátricos, mas também para sofrimento psicológico, vínculos familiares, moradia, trabalho, renda e outras necessidades sociais que influenciam adesão e continuidade do cuidado. É a velha ideia, bem menos glamourosa e muito mais eficiente, de tratar a pessoa e não apenas a droga. Por isso, a alternativa C está correta: o atendimento multidisciplinar ao usuário de crack contempla também suas necessidades psicológicas e socioeconômicas. Esse é o sentido da atenção integral previsto nas políticas públicas de saúde mental e no SUS, em linha com a Lei nº 10.216/2001, que orienta cuidado em liberdade, com proteção de direitos e intervenções proporcionais às necessidades do paciente. As demais alternativas tentam empurrar respostas extremas ou incorretas: compulsão, criminalização do usuário, internação como regra e descrição errada do efeito agudo da droga. Em prova, quando aparecer crack, desconfie de soluções simplistas. A abordagem correta costuma ser complexa, articulada e humanizada.