A avaliação biopsicossocial da deficiência é realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considera, entre outros fatores, a interação da pessoa com barreiras que podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. A psicóloga Helena ficou tetraplégica após um acidente e se candidatou a uma vaga destinada a pessoas com deficiência em um concurso público do Poder Judiciário. Pode constituir uma barreira na integração de Helena ao trabalho:
- A)a oferta de tecnologia assistiva, como softwares de comando por voz;
Errada, porque softwares de comando por voz são tecnologia assistiva e facilitam a inclusão, não criam barreira.
- B)o capacitismo dos colegas de trabalho;
Certa, porque o capacitismo é uma barreira atitudinal que dificulta a integração e a participação da pessoa com deficiência no trabalho.
- C)o desconhecimento da linguagem de Libras;
Errada, porque o desconhecimento de Libras pode ser uma limitação de comunicação, mas não é o foco da barreira indicada no caso da Helena.
- D)a disponibilização de acesso por rampas e elevadores;
Errada, porque rampas e elevadores são medidas de acessibilidade arquitetônica, justamente feitas para remover barreiras.
- E)o direito ao Benefício de Prestação Continuada.
Errada, porque o Benefício de Prestação Continuada é um direito assistencial e não uma barreira à inclusão no trabalho.
Gabarito: B
A avaliação biopsicossocial da deficiência não olha só para o laudo médico: ela considera também como a pessoa interage com o ambiente, com as atitudes das outras pessoas e com as barreiras do dia a dia. A lógica da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015, especialmente art. 2º e art. 3º, IV) é justamente identificar impedimentos e barreiras que limitem a participação plena e efetiva da pessoa com deficiência em igualdade de condições. No caso da Helena, o ponto central não é a tetraplegia em si, mas o que pode dificultar sua inclusão no trabalho. Barreiras atitudinais entram com força nesse cenário: preconceito, estigma, desconfiança e tratamento discriminatório por colegas ou gestores. É o famoso obstáculo que não tem rampa, mas derruba do mesmo jeito. Por isso, o capacitismo dos colegas de trabalho constitui barreira. Capacitismo é a discriminação ou desvalorização da pessoa com deficiência com base na ideia de que ela seria inferior ou incapaz. Na prática, ele bloqueia participação, autonomia e convivência no ambiente laboral, exatamente o que a questão descreve. As demais alternativas apontam medidas de acessibilidade ou direitos que ajudam a inclusão, não a atrapalham. A banca FGV gosta de inverter esse jogo: coloca algo claramente positivo ao lado de uma barreira atitudinal para ver se você distingue acessibilidade de obstáculo.