Para Jacques Lacan, psicanalista francês, o Eu corresponde a uma instância imaginária, surgida numa fase em que a criança se reconhece em sua própria imagem, sob o olhar e a presença de um outro que a identifica e reconhece. Tal fase é caracterizada como
- A)passagem ao ato.
Passagem ao ato é um ato impulsivo de ruptura, não uma fase do desenvolvimento psíquico ligada ao reconhecimento da imagem.
- B)estádio de espelho.
Correta: o estádio de espelho é a fase em que a criança se reconhece na própria imagem e forma a instância imaginária do Eu.
- C)narcisismo de morte.
Narcisismo de morte não corresponde ao conceito lacaniano descrito na questão e não define a fase de constituição do Eu.
- D)ego prazer-realidade.
Ego prazer-realidade é uma formulação mais próxima da psicologia do ego, não da teoria lacaniana do estádio de espelho.
- E)castração simbolicogênica.
Castração simbolicogênica diz respeito a outro eixo da teoria psicanalítica, ligado à simbolização e à lei, não ao reconhecimento especular.
Gabarito: B
Para Lacan, o Eu não nasce como uma coisa sólida e pronta. Ele se forma como uma imagem, isto é, como uma construção imaginária que a criança passa a reconhecer quando se vê refletida e é confirmada pelo olhar do outro. É como se a criança dissesse: "então sou isso aqui?" - e, a partir dessa identificação, organiza uma primeira noção de unidade corporal e de si. Essa cena clássica recebe o nome de estádio de espelho. Nessa fase, a criança se reconhece na imagem especular com a mediação de alguém que a sustenta simbolicamente, geralmente pela presença e pelo olhar acolhedor. O ponto central é justamente esse: o Eu lacaniano não é transparente nem plenamente autêntico, mas uma imagem estruturante, ligada ao imaginário. Por isso, o gabarito é a letra B. A descrição da questão repete quase literalmente a ideia do estádio de espelho, conceito central da teoria lacaniana, apresentado por Lacan em seu texto sobre o estádio do espelho como formador da função do Eu, tal como é vivido na experiência psicanalítica. Em prova, sempre que aparecer criança, imagem refletida, reconhecimento e formação do Eu, acenda o alerta: é Lacan pedindo passagem. As outras alternativas seguem trilhas diferentes da psicanálise ou de processos clínicos que não têm relação com essa fase de constituição do Eu. Aqui, a chave é lembrar que o Eu, para Lacan, é uma construção imaginária marcada por identificação, e não uma instância autônoma e estável desde o início.