Considerando as estratégias existentes para lidar com o grande desafio que é a dependência do crack, é correto afirmar que:
- A)os Caps AD oferecem tratamento ambulatorial para os usuários de crack de acordo com o projeto terapêutico singular construído com o paciente;
Certa: o CAPS AD realiza atendimento ambulatorial e organiza o cuidado por meio do projeto terapêutico singular, ajustado à necessidade de cada usuário.
- B)a internação compulsória é feita após o convencimento do dependente a aderir ao tratamento na modalidade manicomial;
Errada: internação compulsória não depende de convencimento do paciente nem corresponde à lógica manicomial como regra; há critérios legais e excepcionalidade.
- C)as comunidades terapêuticas trabalham com a filosofia da redução de danos, admitindo a substituição do crack por drogas menos danosas;
Errada: comunidades terapêuticas, em geral, não se estruturam pela redução de danos e a substituição por drogas menos danosas não é sua filosofia típica.
- D)a assistência social é a abordagem mais indicada, já que o crack é uma droga de uso exclusivo por pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica sem vínculos familiares;
Errada: crack não é exclusivo de pessoas em extrema vulnerabilidade sem vínculos, e a abordagem não se resume à assistência social.
- E)os consultórios na rua oferecem leitos de curta permanência para os usuários de crack em situação de rua com agravos de ordem clínica.
Errada: consultório na rua faz abordagem e cuidado no território, mas não oferece leitos de curta permanência; isso é função de outros serviços da rede.
Gabarito: A
A política de atenção ao usuário de crack no SUS não gira em torno de “forçar cura”, mas de cuidado contínuo, em rede e com projeto terapêutico singular. O CAPS AD é um dos principais dispositivos dessa rede: ele faz atendimento ambulatorial, acolhe o usuário, organiza o cuidado conforme a necessidade de cada caso e pode articular outras estratégias da rede de saúde e assistência social. Em vez de receita única, o foco é construir um plano individualizado com a pessoa, respeitando sua realidade e seu vínculo com o serviço. A lógica moderna do tratamento em saúde mental e álcool e drogas é a da atenção psicossocial, prevista na Lei 10.216/2001 e na organização da Rede de Atenção Psicossocial. Isso afasta a ideia de modelo manicomial como regra e também rejeita soluções simplistas, como tratar dependência química apenas com internação. Internação pode existir em situações excepcionais e com critérios legais, mas não é a base do cuidado. No caso do crack, também é importante lembrar que o problema não é só médico: envolve vulnerabilidade social, rua, ruptura de vínculos, comorbidades e risco clínico. Por isso, a rede combina saúde, assistência social, abordagem territorial e redução de danos. Cada serviço tem sua função, e o CAPS AD é justamente um dos pilares do acompanhamento ambulatorial e do cuidado continuado. Assim, a alternativa A está correta porque descreve com precisão o papel do CAPS AD: atendimento ambulatorial, construído a partir do projeto terapêutico singular. É a cara da política pública atual: menos improviso, mais rede e cuidado individualizado.