A partir das demandas e das mudanças de paradigmas no cuidado e assistência em saúde mental advindos da Reforma Psiquiátrica Brasileira, o Projeto Terapêutico Singular (PTS) foi bastante desenvolvido em dispositivos da RAPS, como as unidades onde atuam as equipes de Saúde da Família e os CAPS. Em documentos que tratam do Projeto Terapêutico Singular, o Ministério da Saúde identifica 4 (quatro) etapas que devem fazer parte da elaboração do PTS. Acerca do PTS e suas etapas, assinale a afirmativa correta.
- A)Projeto Terapêutico Singular é definido como um conceito equivalente a Projeto Terapêutico Individual.
Errada, porque Projeto Terapêutico Singular não é apenas um nome diferente para Projeto Terapêutico Individual; a ideia central é o cuidado compartilhado e contextualizado.
- B)O próprio usuário participa do diagnóstico, da definição das metas e da divisão de responsabilidades no PTS.
Certa, porque o usuário participa ativamente da construção do PTS, incluindo diagnóstico situacional, metas e responsabilização, em lógica de corresponsabilização.
- C)A clínica ampliada é um modelo que valoriza o saber médico, privilegiando a autoridade do psiquiatra na equipe de saúde.
Errada, porque a clínica ampliada valoriza a interdisciplinaridade e a visão integral do sujeito, e não a centralidade exclusiva do saber médico.
- D)O paciente receberá do técnico de referência do PTS o apoio matricial necessário para o tratamento.
Errada, porque apoio matricial é um suporte técnico-pedagógico da equipe de referência, e não um serviço simplesmente repassado ao paciente pelo técnico de referência.
- E)O psicodiagnóstico do paciente, com avaliação psicométrica, projetiva e clínica, é indispensável para a elaboração do PTS.
Errada, porque o PTS não exige psicodiagnóstico com testes como etapa obrigatória; o plano nasce da discussão clínica e do contexto do usuário.
Gabarito: B
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é uma ferramenta de cuidado muito usada na RAPS, especialmente na ESF e nos CAPS, para organizar o atendimento de forma compartilhada e centrada na pessoa, e não só na doença. Ele nasce da ideia de clínica ampliada, isto é, olhar para o sujeito em sua totalidade: história de vida, contexto familiar, território, sofrimento e potencialidades. O Ministério da Saúde aponta 4 etapas na construção do PTS: diagnóstico, definição de metas, divisão de responsabilidades e reavaliação. E aqui vem o ponto-chave: o usuário não é espectador da própria vida, ele participa do processo. Isso faz sentido com a lógica da Reforma Psiquiátrica Brasileira e com o cuidado em saúde mental baseado em autonomia, corresponsabilização e vínculo. Por isso, a alternativa B está correta. No PTS, o usuário pode e deve participar do diagnóstico situacional, da construção das metas e da pactuação de quem faz o quê. É justamente essa construção compartilhada que diferencia o PTS de um plano imposto de cima para baixo. No campo da saúde mental, a diretriz é cuidar com a pessoa, e não apenas para a pessoa. As demais alternativas tentam confundir com ideias antigas ou tecnicistas: o PTS não é sinônimo perfeito de projeto terapêutico individual, não coloca o psiquiatra como autoridade máxima, não transfere automaticamente apoio matricial ao paciente e não exige psicodiagnóstico formal como pré-requisito. O foco é a singularidade do caso e a construção coletiva do cuidado.