Juliana teve uma filha, Sara, a quem induziu precocemente ao uso de drogas e à prostituição. Após algum tempo, Sara saiu de casa e passou a viver em situação de rua, tendo gerado um filho enquanto estava nessa condição. A avó buscou apoio na Defensoria Pública, discorrendo de forma mentirosa e manipuladora sobre os comportamentos de sua filha. As condutas de Juliana podem indicar que sua estrutura clínica seja
- A)psicótica.
Errada: estrutura psicótica envolve ruptura com a realidade, delírios ou alucinações, o que não é o foco do caso.
- B)perversa.
Certa: a descrição sugere manipulação, uso do outro como objeto e relação distorcida com a lei e com o desejo.
- C)neurótica.
Errada: na neurose, há conflito psíquico com preservação do juízo de realidade, não essa exploração instrumental do outro.
- D)idiopática.
Errada: "idiopática" não é uma estrutura clínica clássica dessa abordagem e não corresponde à classificação psicanalítica cobrada.
- E)sociopática.
Errada: "sociopática" é um termo mais ligado a linguagem leiga ou a transtornos de personalidade, e não à estrutura psicanalítica pedida.
Gabarito: B
Em Psicologia, quando a banca fala em estrutura clínica, ela costuma estar pensando na leitura psicanalítica das posições subjetivas: neurose, psicose e perversão. A ideia não é rotular o sujeito pelo comportamento isolado, mas pelo modo como ele lida com a lei, com o outro e com o próprio desejo. Na perversão, o ponto central é a tentativa de contornar ou desafiar a lei simbólica, usando o outro como objeto para satisfação, muitas vezes com manipulação, instrumentalização e frieza afetiva. Por isso, condutas como induzir a filha precocemente a drogas e prostituição, além de mentir de forma calculada para obter vantagens, sugerem esse funcionamento estrutural. A banca também gosta de associar a perversão a estratégias de sedução, engano e uso do outro como meio, e não como fim. Não se trata aqui de "maldade" no sentido popular, mas de uma organização psíquica em que a relação com a norma e com a alteridade fica bastante distorcida. Assim, o gabarito B está correto porque as condutas descritas apontam para uma estrutura perversa: manipulação, exploração do outro e afronta à lei simbólica. Em prova, sempre desconfie quando o enunciado trouxer frieza, instrumentalização e mentira estratégica como traço dominante.