O autismo vem despertando cada vez mais interesse na comunidade científica em razão do aumento de sua incidência nas últimas décadas. Alguns autores cogitam uma “epidemia” de autismo, enquanto outros justificam o aumento do número de casos como consequência da ampliação dos critérios diagnósticos e da disseminação da informação a seu respeito no mundo. Atualmente, a principal mudança diagnóstica sobre o autismo realizada com a publicação da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) foi
- A)a incorporação da noção de autismo enquanto espectro.
Correta: o DSM-5 consolidou os diferentes subtipos em Transtorno do Espectro Autista, adotando a noção de espectro.
- B)a redução do diagnóstico de TDAH como contraponto à ampliação do autismo.
Errada: não houve redução de diagnóstico de TDAH como contraponto ao autismo; são transtornos distintos e sem relação de substituição.
- C)a inclusão no item relacionado às “esquizofrenias de tipo Infantil”.
Errada: o autismo não foi incluído no item de esquizofrenias infantis, pois essa visão é antiga e não corresponde ao DSM-5.
- D)a adoção das terminologias “autismo infantil” e “autismo atípico”.
Errada: “autismo infantil” e “autismo atípico” são terminologias de classificações anteriores, não a marca principal do DSM-5.
- E)a confirmação por meio de testes e exames dos sinais de autismo antes dos dois anos de idade.
Errada: o diagnóstico de autismo é clínico e não depende de confirmação por testes ou exames antes dos dois anos.
Gabarito: A
O DSM-5 mudou bastante a forma de enxergar o autismo. Antes, havia várias categorias separadas, como autismo infantil, síndrome de Asperger e transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação. Com o DSM-5, a lógica passou a ser outra: em vez de caixinhas diferentes, a classificação reuniu tudo sob o nome Transtorno do Espectro Autista (TEA). Isso reflete a ideia de que os sinais variam em intensidade, combinação e impacto funcional, formando um espectro. Essa mudança é importante porque o autismo não é visto como um quadro único e rígido, mas como uma condição com diferentes níveis de suporte necessário. O manual também destacou dois grandes grupos de sintomas: dificuldades na comunicação/interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Por isso, o gabarito é a alternativa A. A principal mudança diagnóstica do DSM-5 foi justamente incorporar a noção de autismo como espectro, reunindo subtipos anteriores em uma única categoria diagnóstica mais ampla e dimensional. Na prática, isso buscou dar mais coerência clínica ao diagnóstico e reduzir fragmentações artificiais entre quadros muito próximos. As demais alternativas tentam confundir você com mudanças inexistentes ou com conceitos antigos. O DSM-5 não fez o autismo “competir” com TDAH, não o colocou como esquizofrenia infantil e nem exigiu confirmação por exames laboratoriais para fechar diagnóstico. Aqui, o que manda é avaliação clínica bem feita, especialmente observação do desenvolvimento e dos sinais comportamentais.