Gustavo tem 30 anos e começou um novo emprego, no qual passou a assumir muitas responsabilidades. Em meio ao estresse do ambiente laborativo, ele começou a se descuidar de sua higiene e de demais cuidados pessoais, evidenciando-se ainda que seu comportamento mudou, tendo ele ficado muito mais irritadiço. Além disso, Gustavo passou a se sentir perseguido, tendo desenvolvido alucinações auditivas persecutórias e de comando. Em sua família, um tio paterno também é acometido por sintomas semelhantes. Os sintomas de Gustavo podem ser sugestivos de
- A)transtorno psicótico catatônico.
Errada: catatonia envolve alteração psicomotora marcante, como estupor, mutismo ou flexibilidade cérea, e não é o quadro descrito.
- B)transtorno bipolar.
Errada: transtorno bipolar pode ter sintomas psicóticos, mas o enunciado não traz episódio maníaco ou depressivo típico, e sim psicose persecutória predominante.
- C)transtorno de ansiedade generalizada.
Errada: transtorno de ansiedade generalizada causa preocupação excessiva e tensão, não alucinações auditivas nem delírios persecutórios.
- D)esquizofrenia hebefrênica.
Errada: a hebefrenia costuma ter desorganização, afeto inadequado e comportamento pueril, e não predomínio de persecutoriedade com vozes de comando.
- E)esquizofrenia paranóide.
Certa: o conjunto de delírios persecutórios, alucinações auditivas e história familiar é compatível com esquizofrenia de tipo paranóide na classificação tradicional.
Gabarito: E
O caso descreve um quadro psicótico com sinais bem típicos: desconfiança persecutória, alucinações auditivas de conteúdo persecutório e de comando, além de prejuízo no autocuidado e mudança comportamental. Em concursos, quando aparecem delírios de perseguição e vozes mandando ou comentando, a banca costuma apontar para esquizofrenia, especialmente na forma paranóide, que historicamente é a associação mais clássica desses sintomas. Outro detalhe importante é o histórico familiar. A presença de um tio paterno com sintomas semelhantes reforça a ideia de vulnerabilidade biológica, o que combina com a esquizofrenia, um transtorno psicótico de base multifatorial, com forte contribuição genética e ambiental. A esquizofrenia paranóide se caracteriza justamente pela predominância de delírios persecutórios e alucinações auditivas, com menor destaque para desorganização grave do pensamento ou comportamento bizarro, que são mais lembrados em outras apresentações antigas da doença. Hoje, o DSM-5 não separa mais subtipos como antigamente, mas em prova a nomenclatura tradicional ainda aparece bastante. Por isso, o gabarito é a alternativa E. O quadro não tem cara de ansiedade, nem de transtorno bipolar, e também não aponta para catatonia. O foco aqui é psicose com conteúdo persecutório e auditivo, em alguém com provável predisposição familiar.