Juliana é psicóloga e atende na Igreja Evangélica de que é membro. O jovem João, de 23 anos, buscou ajuda psicoterápica com a profissional, pois está em dúvida sobre sua orientação sexual, muito embora esteja noivo de Sarah, que também participa da mesma congregação. Segundo as previsões contidas no Código de Ética profissional, Juliana:
- A)deve orientar João a se abster de qualquer prática sexual antes do casamento;
Errada, porque o psicólogo não deve impor regras morais ou religiosas sobre sexualidade como conduta profissional.
- B)pode considerar a inadequação da homossexualidade aos olhos de Deus;
Errada, pois o atendimento psicológico não pode reproduzir juízo religioso de inadequação da homossexualidade.
- C)deve encaminhá-lo para ser atendido pelo pastor da congregação religiosa;
Errada, já que encaminhar o caso ao pastor como solução terapêutica substitui indevidamente a atuação técnica da psicóloga.
- D)deve acolher João de forma cuidadosa, respeitando o que ele disser;
Certa, porque o Código de Ética exige acolhimento, respeito à pessoa atendida e ausência de discriminação.
- E)deve sugerir que João procure por psicólogo que trabalhe com terapia de conversão sexual e cura gay.
Errada, pois a chamada terapia de conversão sexual/cura gay é incompatível com as normas éticas do CFP.
Gabarito: D
A questão cobra o Código de Ética Profissional do Psicólogo e a ideia central aqui é simples: o psicólogo não está ali para fazer julgamento moral da vida íntima da pessoa, mas para oferecer acolhimento, escuta qualificada e respeito à autonomia do atendido. Em temas ligados a orientação sexual, isso fica ainda mais claro, porque a atuação profissional não pode ser usada para reforçar preconceitos, constrangimentos ou tentativas de “corrigir” a pessoa. O Código de Ética determina que o psicólogo atue com base no respeito à dignidade, à liberdade e à integridade do ser humano, evitando qualquer forma de discriminação. Além disso, as resoluções do CFP sobre sexualidade e identidade de gênero vedam práticas que tratem a homossexualidade como doença ou que proponham terapias de reversão, de “cura gay” ou similares. Ou seja: a psicóloga não deve orientar João a mudar sua orientação sexual, nem impor valores religiosos como regra técnica de atendimento. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Ao acolher João de forma cuidadosa e respeitando o que ele disser, Juliana age de acordo com a ética profissional: escuta sem julgamento, preserva o sigilo e sustenta um espaço seguro para que ele elabore suas dúvidas. Em concurso, quando aparecer conflito entre moral pessoal, religião e atuação profissional, a resposta costuma pender para ética, respeito e não discriminação. Resumo de prova: psicologia não é púlpito, nem tribunal. É atendimento técnico e ético, com respeito à subjetividade da pessoa e sem imposição de crenças da profissional.