César sempre gostou de beber, mas, com o passar dos anos, o hábito tornou-se problemático, afetando seu casamento e sua vida profissional. Sua esposa, Andréa, foi aconselhada a procurar um grupo de Al-Anon, voltado para parentes e amigos de alcoolistas, e se apercebeu de seu próprio comportamento codependente. Para superar a codependência, Andréa precisará
- A)se tornar uma espécie de cuidadora do marido para tentar controlar seu comportamento e evitar crises em casa e no trabalho.
Errada, porque transformar-se em cuidadora para controlar o comportamento do alcoolista é justamente um padrão codependente, não uma saída para ele.
- B)assumir o protagonismo na relação conjugal, cuidando das finanças domésticas e pagando as dívidas de César.
Errada, pois assumir as finanças e pagar as dívidas pode reforçar a dependência e manter a pessoa na posição de quem resolve tudo pelo outro.
- C)acobertar o problema de alcoolismo do marido, mantendo-o em segredo da família, dos amigos e do patrão de César.
Errada, porque acobertar o alcoolismo é uma forma clássica de manutenção da codependência, já que preserva o problema em vez de enfrentá-lo.
- D)entender que não é responsável pelo alcoolismo de César e sim pela forma como lida com o marido e com as demandas dele.
Certa, pois a saída é reconhecer que a responsabilidade dela é com sua própria postura e limites, não com a causa do alcoolismo do marido.
- E)deixar de compartilhar o uso de álcool com o marido, ainda que de forma recreativa e moderada.
Errada, porque o ponto central da codependência não é apenas parar de beber junto, mas mudar o padrão de relacionamento com o dependente.
Gabarito: D
A codependência aparece quando a pessoa passa a organizar a própria vida em torno do problema do outro, tentando controlar, salvar, encobrir ou compensar os efeitos do comportamento alheio. No contexto do alcoolismo, isso é muito comum em familiares que entram no modo "apaga-incêndio": escondem o problema, assumem responsabilidades que não são suas e vivem tentando evitar o próximo caos. Parece ajuda, mas vira prisão emocional. Os grupos de Al-Anon existem justamente para parentes e amigos de alcoolistas. A lógica não é "consertar" o dependente químico, e sim ajudar o familiar a reconhecer seus limites, parar de alimentar o ciclo de dependência e cuidar da própria saúde emocional. Em outras palavras: você não controla o uso de álcool do outro, mas pode controlar a sua forma de reagir, de se posicionar e de estabelecer limites. Por isso o gabarito é a letra D. Andréa precisa entender que não é responsável pelo alcoolismo de César, porque a culpa pelo transtorno não é dela. O que está sob sua responsabilidade é a maneira como ela lida com a situação, por exemplo, deixando de assumir papéis que reforcem o problema, buscando apoio e estabelecendo limites mais saudáveis. A ideia é bem alinhada com a proposta dos grupos de apoio para familiares: sair da posição de "salvadora" e adotar uma postura mais realista e protetiva consigo mesma. Em prova, quando aparecer codependência, pense logo em limite, autocuidado e ruptura do ciclo de controle indireto.