Depois que seu marido Oscar aceitou o tratamento no CAPS-AD, Tânia foi convidada a participar de um grupo de Al-Anon para ajuda a familiares e amigos de usuários de álcool. Um fator terapêutico que pode ser obtido para Tânia em um grupo desta natureza é
- A)a compreensão da individualidade de sua vivência.
Errada: o grupo acolhe a singularidade de cada pessoa, mas o fator terapêutico mais marcante aqui é a troca de vivências com outros participantes.
- B)a instilação de desalento em relação ao marido.
Errada: o objetivo do grupo é dar suporte e esperança, não produzir desalento em relação ao marido ou à situação.
- C)a identificação projetiva com outros participantes.
Errada: identificação projetiva não é o mecanismo terapêutico esperado em um grupo de apoio como o Al-Anon.
- D)o compartilhamento das experiências.
Certa: o compartilhamento das experiências é um fator terapêutico típico dos grupos de ajuda mútua e favorece apoio, identificação e redução do isolamento.
- E)a facilitação da racionalização coletiva.
Errada: racionalização coletiva não é o foco terapêutico desse tipo de grupo e não descreve o principal benefício da intervenção.
Gabarito: D
Em grupos de apoio, como o Al-Anon, o foco não é “consertar” a pessoa, mas oferecer um espaço seguro para troca, acolhimento e aprendizado entre quem vive problemas parecidos. Isso reduz a sensação de isolamento e ajuda a pessoa a perceber que ela não está sozinha na sua dor. Esse tipo de grupo aproveita fatores terapêuticos clássicos da terapia de grupo, muito associados a Yalom, como universalidade, coesão e compartilhamento de experiências. No caso de Tânia, o grupo pode funcionar justamente como um lugar em que ela escuta relatos semelhantes aos dela, compara estratégias de enfrentamento e se sente compreendida. É por isso que o gabarito é a alternativa D: o compartilhamento das experiências é um fator terapêutico central nesse tipo de intervenção. Note que o Al-Anon não serve para reforçar desesperança, nem para fazer interpretações complexas sobre a vida do participante. A lógica é mais humana e prática: “você passa por isso também? então vamos trocar vivências e construir apoio”. Em provas da FGV, vale lembrar que grupos de ajuda mútua costumam destacar fatores como universalidade, apoio e troca entre pares.