Desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg, a comunicação não violenta (CNV) é um método de resolução pacífica de conflitos que pode ser aplicada em diversos contextos, entre eles, o ambiente de trabalho. João e Lucas não se entendem quanto à divisão de tarefas e o atrito entre eles já contamina todo o ambiente da empresa. O psicólogo organizacional André foi chamado a atuar na gestão do conflito. Em conformidade com as estratégias da CNV, o psicólogo
- A)arbitrará o conflito, apontando o responsável pela situação de litígio e indicando as medidas cabíveis.
Errada, porque arbitrar e apontar culpados é uma lógica punitiva, incompatível com a escuta empática da CNV.
- B)apresentará uma solução criativa que contemple os interesses prioritários da empresa.
Errada, porque a CNV não prioriza a solução do interesse da empresa acima das pessoas, mas a compreensão mútua das necessidades.
- C)buscará um consenso, advertindo os funcionários quanto às sanções que poderão sofrer.
Errada, porque advertir com sanções é postura de coerção e ameaça, o oposto da abordagem não violenta.
- D)analisará o perfil dos funcionários para indicar as tarefas que cada um deve desempenhar de acordo com suas habilidades.
Errada, porque analisar perfil e distribuir tarefas trata de gestão de pessoal, não de mediação do conflito pela CNV.
- E)ouvirá com atenção e empatia as necessidades de cada um, buscando entender seus pontos de vista e sentimentos.
Certa, porque a CNV exige escuta atenta, empatia e busca de compreensão dos sentimentos e necessidades de cada um.
Gabarito: E
A comunicação não violenta (CNV), criada por Marshall Rosenberg, é uma forma de lidar com conflitos sem entrar no modo “tribunal”, “ameaça” ou “quem grita mais alto”. A ideia central é reduzir a reação automática e abrir espaço para escuta, empatia e cooperação. Em vez de focar em culpa e punição, a CNV busca entender o que cada pessoa observa, sente, precisa e pede. No ambiente de trabalho, isso é muito útil quando o conflito já saiu do nível técnico e começou a contaminar a relação entre as pessoas. O psicólogo organizacional, nesse caso, deve favorecer a comunicação clara e respeitosa, ajudando cada um a expressar suas necessidades e a compreender as do outro. Não é papel da CNV “decidir por sentença”, mas sim desarmar a disputa e reconstruir o diálogo. Por isso, o gabarito é a alternativa E. Ouvir com atenção e empatia é exatamente a lógica da CNV: acolher os sentimentos e necessidades de cada lado, sem julgamento apressado. Esse é o caminho para transformar conflito em entendimento, e não em mais conflito com crachá. Como referência doutrinária, a CNV é descrita por Rosenberg como uma comunicação baseada em observação sem julgamento, identificação de sentimentos e necessidades, e pedidos claros. Em resolução de conflitos, isso se aproxima de práticas colaborativas e restaurativas, não de arbitrariedade ou coerção.