Larissa, 19 anos, usuária de crack em situação de rua em uma grande metrópole, costuma ser atendida pela equipe do programa Consultório na Rua. Larissa foi encontrada desorientada e com sintomas psicóticos, sugerindo um quadro de intoxicação aguda pela droga, e a equipe avaliou oportuno que ela ficasse temporariamente sob observação. De acordo com a organização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), a internação de Larissa poderá ser feita
- A)em leito de curta permanência no próprio Consultório na Rua.
Errada: o Consultório na Rua faz cuidado territorial e apoio clínico, mas não possui leito próprio para internação.
- B)em leito de longa permanência no hospital de custódia de referência.
Errada: hospital de custódia não é a referência para esse quadro, pois é ligado a medida de segurança e não ao cuidado agudo da RAPS.
- C)em leito de emergência do NASF de abrangência daquele território.
Errada: o NASF não é serviço de urgência nem possui leitos de emergência; sua função é apoio matricial à atenção básica.
- D)em leito do CAPSi jovem, que abrange a faixa etária de 18 a 21 anos.
Errada: o CAPSi atende crianças e adolescentes, e a faixa etária indicada não corresponde ao serviço, além de não ser o dispositivo típico para esse caso.
- E)em leito do CAPS AD III ou do CAPS AD IV, caso já esteja implantado.
Certa: os CAPS AD III, e o CAPS AD IV quando implantado, podem oferecer acolhimento noturno e leitos de observação para crise por uso de álcool e outras drogas.
Gabarito: E
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) organiza o cuidado em saúde mental de forma territorial, articulando atenção básica, urgência, CAPS e leitos em hospital geral quando necessário. A lógica é evitar internações longas e desnecessárias, priorizando dispositivos substitutivos e de cuidado no território, sempre que possível. No caso de Larissa, há um quadro agudo com intoxicação por crack e sintomas psicóticos, o que pode justificar observação e acolhimento em serviço especializado de saúde mental. Pela Portaria GM/MS nº 3.088/2011, que institui a RAPS, os CAPS, inclusive os CAPS AD, podem ofertar atenção em regime de acolhimento noturno e leitos de observação, especialmente os CAPS AD III, que funcionam 24 horas. Em algumas situações, também pode haver leitos em CAPS AD IV, quando implantado. Por isso o gabarito é a letra E: a internação/observação pode ocorrer em leito do CAPS AD III ou do CAPS AD IV, se esse serviço já estiver implantado. É a resposta que conversa com a organização real da rede para crises relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, sem precisar recorrer logo a estruturas que não são o ponto de entrada adequado. As demais alternativas tentam te puxar para lugares que não correspondem à RAPS para esse tipo de situação. Aqui a ideia é reconhecer que crise por substância psicoativa, em usuária em situação de rua, pode ser manejada em serviço especializado da rede substitutiva, e não em qualquer equipamento com nome parecido.