A teoria do psiquiatra e psicanalista Pichon-Rivière sobre Grupo Operativo inclui conceitos importantes relacionados aos papéis desempenhados pelos membros do grupo. De acordo com sua teoria sobre esses papéis, é correto afirmar que
- A)o líder é aquele que conquista a autoridade usando estratégias autoritárias para atingir seus propósitos.
Errada, porque o líder em Pichon-Rivière não é definido por autoritarismo, e sim pela função que assume na dinâmica grupal.
- B)O sabotador é um membro do grupo que tem resistência às mudanças e que tenta minar a coesão grupal.
Certa, porque o sabotador é justamente o membro que resiste às mudanças e tende a prejudicar a coesão e o avanço da tarefa.
- C)O bode expiatório assume a responsabilidade de comunicar as preocupações do grupo para os outros membros ou para o facilitador.
Errada, porque quem comunica as preocupações implícitas do grupo é o porta-voz, não o bode expiatório.
- D)O porta-voz é o membro que promove a coesão, a colaboração e o progresso em direção aos objetivos estabelecidos.
Errada, porque promover coesão e progresso se aproxima da função de coordenação/apoio do grupo, e não do porta-voz.
- E)O facilitador é um observador externo que não intervém na dinâmica entre os membros envolvidos na realização da tarefa grupal.
Errada, porque o facilitador/coordenador não é um observador passivo; ele intervém para ajudar na dinâmica e na tarefa grupal.
Gabarito: B
Na teoria dos Grupos Operativos de Pichon-Rivière, o grupo não é visto só como uma soma de pessoas, mas como um conjunto em torno de uma tarefa. Nesse cenário, cada membro pode assumir papéis funcionais, como porta-voz, bode expiatório, líder e sabotador. Esses papéis ajudam a entender o que acontece “por trás” da conversa do grupo. O ponto central aqui é que o sabotador costuma resistir ao movimento do grupo, criando entraves, desacelerando mudanças e, muitas vezes, minando a coesão. Ele não é necessariamente “vilão de filme”, mas alguém que expressa, pela obstrução, tensões e medos do próprio grupo diante da tarefa. Por isso, o gabarito é a letra B. A descrição bate com a ideia pichoniana de sabotagem grupal: resistência às mudanças, oposição à tarefa e ação que dificulta a integração do coletivo. É exatamente esse comportamento de bloqueio que o conceito procura nomear. Vale não confundir os papéis: o porta-voz comunica algo que emerge do grupo, o bode expiatório recebe projeções negativas do coletivo e o coordenador/facilitador atua para ajudar na elaboração da tarefa. Em prova, a banca adora trocar esses rótulos como quem troca peça de quebra-cabeça.