Camila e Hugo comemoraram muito a notícia da gravidez de seu primeiro filho, mas a alegria foi interrompida quando Camila sofreu uma perda gestacional súbita em torno do quarto mês de gestação. Nessa situação, uma intervenção psicológica em crise: I. empregará a escuta ativa e a validação dos sentimentos de dor pela perda; II. informará sobre as reações emocionais esperadas, como o luto e a frustração; III. ajudará o casal a distrair sua dor pela perda, evitando comunicações sobre o ocorrido. Está correto somente o que se afirma em:
- A)I;
A alternativa apresenta apenas a afirmativa I, que descreve a escuta ativa e a validação da dor pela perda. Isso corresponde ao núcleo da intervenção em crise, que busca acolher, conter emocionalmente e favorecer a expressão do sofrimento imediato após o evento traumático.
- B)III;
A alternativa sustenta apenas a afirmativa III, isto é, que o casal deve ser distraído da perda e evitar conversas sobre o ocorrido. Esse raciocínio contraria a intervenção em crise, porque o manejo adequado não incentiva esquiva nem silenciamento, mas sim elaboração inicial do impacto e apoio à verbalização.
- C)I e II;
A alternativa reúne as afirmativas I e II. Além da escuta ativa e da validação do sofrimento, a intervenção em crise também psicoeduca sobre reações emocionais esperadas, como luto, frustração, choque e tristeza, normalizando respostas comuns diante da perda gestacional súbita.
- D)I e III;
A alternativa combina as afirmativas I e III. Embora a I descreva uma conduta adequada, a III propõe afastar o casal do tema e evitar comunicação sobre a perda, o que é incompatível com a intervenção em crise, que prioriza acolhimento, contato com a experiência e apoio à expressão emocional.
- E)II e III.
A alternativa reúne as afirmativas II e III. A II está de acordo com a intervenção em crise ao orientar e normalizar reações emocionais previsíveis, mas a III erra ao sugerir distração e evitamento da comunicação, quando o atendimento deve favorecer escuta e processamento do acontecimento.
Gabarito: C
Na crise, a intervenção psicológica busca acolher a pessoa no impacto imediato do evento, sem empurrar soluções prontas nem fingir que nada aconteceu. O foco é reduzir o sofrimento agudo e favorecer que o sujeito se reorganize emocionalmente diante da perda. Por isso, a escuta ativa e a validação dos sentimentos são essenciais: quando alguém sofre uma perda gestacional, a dor, a tristeza, a culpa e a frustração podem aparecer com força, e precisam ser reconhecidas, não minimizadas.