O pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott ficou conhecido por sua teoria original a respeito das relações de objeto, do self e do brincar, essencial para compreender o desenvolvimento humano e suas fases. Nesse contexto, ele criou o conceito que designa o objeto material eleito pela criança para efetuar a sua passagem de uma relação fusional com o corpo materno para o estado em que ela reconhece a mãe diferente de si, separando-se dela. Tal objeto é chamado por Winnicott de
- A)fálico.
Fálico é um termo ligado à teoria psicanalítica da sexualidade e do complexo de Édipo, não ao objeto que ajuda na separação da mãe.
- B)objeto a.
Objeto a é um conceito de Lacan, ligado à falta e ao desejo, e não ao objeto eleito pela criança na passagem para a individuação.
- C)objeto bom.
Objeto bom remete mais à ideia de objeto internalizado na teoria das relações de objeto, mas não nomeia o objeto de transição descrito no enunciado.
- D)transicional.
É o conceito de Winnicott para o objeto material usado pela criança como ponte entre a fusão com a mãe e o reconhecimento da separação.
- E)Transgeracional.
Transgeracional diz respeito à transmissão entre gerações, sem relação com o objeto usado pela criança no processo de separação.
Gabarito: D
Donald Winnicott é um autor central quando o assunto é desenvolvimento emocional, relação mãe-bebê e constituição do self. Para ele, o bebê não nasce já separado do mundo: no começo, vive uma experiência muito fusionada com a mãe, como se tudo fizesse parte de uma mesma unidade. Aos poucos, porém, a criança precisa sair dessa dependência quase total e começar a perceber que a mãe é um ser अलगado dela. É aí que entram os chamados objetos transicionais. O objeto transicional é aquele item material que a criança elege para ajudar nessa passagem delicada entre a sensação de união com a mãe e o reconhecimento da separação. Pode ser um pano, um cobertor, um ursinho, algo que ganha valor especial porque dá conforto e segurança. Ele funciona como uma espécie de ponte psíquica: nem é a mãe, nem é apenas um objeto qualquer, mas algo que ajuda a criança a suportar a ausência e a construir autonomia aos poucos. Por isso, o gabarito é a letra D. O conceito de objeto transicional foi formulado por Winnicott justamente para explicar essa zona intermediária entre o dentro e o fora, o eu e o não eu, o vivido como fusão e a experiência de separação. Na doutrina winnicottiana, isso se relaciona também ao brincar e ao espaço potencial, temas fundamentais para o amadurecimento emocional. Na prova, a palavra-chave é passagem: se a questão fala em objeto material escolhido pela criança para sair da relação fusional com a mãe e reconhecê-la como separada, você deve pensar imediatamente em Winnicott. É aquele famoso objeto que a criança ama mais do que a lógica adulta consegue explicar, e está tudo bem com isso.