A área de atenção à saúde dos trabalhadores insere-se no campo das práticas em saúde coletiva, e o psicólogo poderá deparar-se com as questões do processo saúde-doença em sua relação com o trabalho, independentemente do lugar em que esteja atuando. Atualmente, se reconhece transtornos mentais e do comportamento resultantes de situações do processo de trabalho. As opções a seguir apresentam fatores de risco para o desenvolvimento desses transtornos, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Os relacionamentos interpessoais ruins, tanto verticais, quanto horizontais.
Certa como fator de risco, porque relações interpessoais ruins, verticais ou horizontais, favorecem sofrimento psíquico e adoecimento no trabalho.
- B)A violência no trabalho com situações de humilhação, perseguição e agressão.
Certa como fator de risco, pois violência, humilhação, perseguição e agressão são formas típicas de assédio e forte estressor ocupacional.
- C)O estresse no trabalho decorrente da pressão por cumprir prazos e metas.
Certa como fator de risco, já que pressão por prazos e metas elevadas é fonte clássica de estresse laboral e desgaste mental.
- D)O absenteísmo e os acidentes de trabalho causados pelo alcoolismo crônico.
Errada, porque absenteísmo e acidentes aparecem como possíveis consequências do alcoolismo crônico, e não como fator de risco ocupacional para transtornos mentais do processo de trabalho.
- E)O desequilíbrio entre esforço excessivo e baixa recompensa obtida pelo trabalhador.
Certa como fator de risco, pois o desequilíbrio entre alto esforço e baixa recompensa é um modelo reconhecido de estresse ocupacional.
Gabarito: D
Quando o assunto é saúde do trabalhador, a banca gosta de misturar causas e consequências. Transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho podem surgir de um ambiente organizacional adoecido: chefias ruins, conflito entre colegas, assédio, violência, metas sufocantes e sensação de esforço alto com pouca recompensa formam um combo nada saudável para a mente. Nesse cenário, é comum aparecerem sintomas como ansiedade, depressão, estresse crônico, burnout e outros problemas psíquicos ligados ao processo de trabalho. A lógica é simples: se o trabalho vira fonte constante de pressão, humilhação ou insegurança, o risco de adoecimento mental cresce bastante. Essa compreensão é compatível com a abordagem da saúde do trabalhador na saúde coletiva e com a ideia de nexo entre trabalho e adoecimento. O ponto da questão está em separar fator de risco de efeito já instalado. A alternativa D fala em absenteísmo e acidentes de trabalho causados pelo alcoolismo crônico. Isso descreve consequências de um quadro de alcoolismo, e não um fator de risco ocupacional típico para transtornos mentais decorrentes do trabalho. Em outras palavras: a frase troca a causa pela resultado, e a FGV adora essa inversão sorrateira. Por isso, a exceção é a letra D. As demais alternativas descrevem situações clássicas de risco psicossocial no trabalho, enquanto D aponta um desdobramento de um problema de saúde, não um fator organizacional gerador de transtorno mental.