Os impasses da cura analítica são discutidos por Freud no conhecido texto A Análise Finita e Infinita (1937). Nele, Freud aponta que o obstáculo à recusa da feminilidade pelo paciente que se revela por intermédio da inveja fálica na mulher e, no homem, pela aversão contra uma postura passiva ou feminina em relação a outro homem. Assim, os esforços terapêuticos esbarram no que Freud denomina como um rochedo
- A)da castração.
Correta: Freud chama de rochedo da castração o limite em que o sujeito resiste à feminilidade, à passividade e à perda fálica.
- B)do narcisismo.
Errada: o narcisismo não é o obstáculo específico descrito por Freud nesse texto.
- C)de Eros
Errada: Eros designa a pulsão de vida, mas não é o rochedo final da análise mencionado no enunciado.
- D)da pulsão de Ego.
Errada: pulsão de ego não é a categoria usada por Freud para nomear esse impasse clínico.
- E)do instinto de auto conservação.
Errada: o instinto de autoconservação não explica esse limite estrutural da cura analítica descrito por Freud.
Gabarito: A
Freud, em "A Análise Finita e Infinita" (1937), discute um limite duro da terapia: há algo no fundo da vida psíquica que não se deixa desmontar facilmente pela interpretação. Esse ponto aparece quando o sujeito esbarra na rejeição da posição feminina, isto é, na dificuldade de aceitar a passividade, a dependência ou a castração simbólica. Na mulher, isso pode surgir como inveja fálica; no homem, como aversão à posição passiva diante de outro homem. Freud entende que, em ambos os casos, existe um impasse ligado ao complexo de castração, que funciona como um núcleo de resistência muito profundo. Não é simples teimosia do paciente, é um limite estrutural da cura analítica. Por isso, o famoso "rochedo" a que Freud se refere é o rochedo da castração. A ideia é que a análise pode avançar bastante, mas encontra esse ponto em que o sujeito se defende da perda, da falta e da feminilidade como posição psíquica. Em prova, sempre que aparecer inveja fálica, passividade recusada e impasse final da análise, pense nesse rochedo. Então, o gabarito A está correto porque o texto aponta exatamente para o obstáculo freudiano ligado ao complexo de castração, e não para narcisismo, pulsões de autoconservação ou outras noções mais gerais.