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Psicologia · FGV · 2022

Questão comentada de Psicologia

A psicóloga clínica Ana Carolina acompanha terapeuticamente a adolescente Juliana, de 16 anos. Por meio do processo terapêutico, Ana Carolina teve conhecimento de que a menina vinha sofrendo violência sexual intrafamiliar por parte do padrasto. Segundo as disposições contidas na Resolução do CFP Nº 010/05 (Código de Ética Profissional),

Gabarito: C

O sigilo profissional no Código de Ética do Psicólogo não é uma blindagem absoluta. Ele é a regra, mas pode ser rompido em situações excepcionais, como quando houver justo motivo, dever legal ou proteção de direitos diante de grave violação. Em casos de violência sexual contra adolescente, a lógica ética é proteger a vítima e reduzir o dano, e não transformar o consultório em um cofre que guarda abuso. Pela Resolução CFP nº 010/05, o psicólogo deve preservar a confidencialidade, mas pode avaliar a necessidade de quebra do sigilo quando isso for indispensável para resguardar a integridade da pessoa atendida, sempre revelando apenas o estritamente necessário. Em situações de violência contra criança ou adolescente, também incidem deveres de proteção previstos no ECA e em normas de notificação compulsória, o que reforça a possibilidade de comunicação aos órgãos competentes. Por isso, o gabarito é a letra C: a psicóloga pode decidir pela quebra do sigilo em razão da dinâmica de violência de que teve conhecimento. Note que não se trata de “contar para qualquer um”, e sim de agir com critério técnico e ético, priorizando a proteção da adolescente e os limites legais da confidencialidade. As demais alternativas erram porque tratam o sigilo como absoluto, transferem para a vítima sozinha a responsabilidade de denunciar, ou exigem autorização de quem pratica a violência. Em psicologia, o sigilo é sério, mas a proteção da vida e da dignidade também é.

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