Subjetividade é um conceito que nasceu no campo da filosofia do conhecimento, mas migrou para o domínio da psicologia, adquirindo tratamento histórico, social e político, sobretudo no final do século XX, por meio de perspectivas críticas e contemporâneas. Sob inspiração de autores como Félix Guattari e Michel Foucault, é correto afirmar que a subjetividade, enquanto objeto de conhecimento e campo de experiência humana, pressupõe:
- A)a permanência de um self interior;
Errada, porque pressupõe um self interior permanente, ideia incompatível com a visão crítica de subjetividade como construção histórica e relacional.
- B)um sujeito universal e abstrato;
Errada, pois a subjetividade crítica rejeita a noção de sujeito universal e abstrato, típica de modelos mais clássicos e racionalistas.
- C)a identidade da pessoa humana;
Errada, porque reduz a subjetividade à identidade fixa da pessoa, quando o enfoque de Foucault e Guattari destaca sua produção social e política.
- D)o efeito das relações de saber e de poder;
Certa, porque a subjetividade é entendida como produzida pelas relações de saber e poder que atravessam os sujeitos.
- E)a consciência individual e indivisível.
Errada, já que não se trata de consciência individual indivisível, mas de processos múltiplos, históricos e socialmente produzidos.
Gabarito: D
A ideia central aqui é que, na psicologia social crítica, subjetividade não é vista como algo fixo, natural e fechado dentro da pessoa. Ela passa a ser entendida como uma construção histórica, social e política, produzida nas relações concretas que o sujeito vive. Ou seja: ninguém “nasce pronto por dentro”; a forma como alguém sente, pensa e se percebe vai sendo moldada no contato com a cultura, as instituições e os discursos do tempo em que vive. Sob inspiração de Michel Foucault e Félix Guattari, a subjetividade aparece ligada aos modos como o poder, o saber e as práticas sociais organizam a vida. Foucault mostra que os sujeitos são produzidos por relações de saber-poder; Guattari reforça que a subjetividade é fabricada em processos sociais, maquínicos e coletivos, e não como uma essência interior imutável. Por isso, a alternativa correta é a D. Ela capta exatamente essa virada crítica: a subjetividade como efeito das relações de saber e de poder. Não se trata de uma “identidade pronta”, nem de um self escondido esperando ser descoberto, mas de algo que se constitui nas tramas sociais, históricas e políticas. Em linguagem de prova: se o enunciado cita Foucault e Guattari, desconfie das opções que falam em essência, universalidade ou unidade interna. Esses autores são justamente usados para desmontar a imagem do sujeito clássico, autônomo e universal.