A gravidez na adolescência impacta a saúde física e emocional da adolescente e pode implicar no abandono escolar e até na perpetuação de um ciclo de pobreza. Um trabalho de Psicologia da Saúde focado na prevenção primária à gravidez precoce, poderá usar como estratégia
- A)o atendimento psicoterápico à adolescente grávida quando do comparecimento à consulta pré-natal.
Errada, porque psicoterapia para adolescente grávida é intervenção posterior, voltada ao cuidado de quem já está no problema.
- B)o envolvimento do pai da criança no período gestacional para evitar o abandono afetivo da jovem mãe.
Errada, porque envolver o pai pode ajudar no suporte psicossocial, mas não configura estratégia de prevenção primária da gravidez precoce.
- C)a orientação à família e à escola quanto aos riscos de a educação sexual promover a erotização precoce.
Errada, porque parte de uma visão equivocada ao tratar educação sexual como risco de erotização, quando ela é justamente uma ferramenta preventiva.
- D)o esclarecimento quanto às consequências criminais da prática de sexo com menores de 15 (quinze) anos.
Errada, porque focar em consequência criminal não é a melhor estratégia de prevenção em saúde e ainda desloca o eixo para punição, não educação.
- E)a oferta de conteúdos informativos e com linguagem acessível sobre sexualidade e métodos contraceptivos.
Certa, porque oferecer informação acessível sobre sexualidade e contracepção é medida clássica de prevenção primária, atuando antes da gravidez ocorrer.
Gabarito: E
Quando a questão fala em prevenção primária, ela quer algo que atue antes de a gravidez acontecer. Ou seja, não basta atender a adolescente já grávida, nem remediar o problema depois: a ideia é reduzir o risco desde a origem, com informação, orientação e acesso a meios de prevenção. Na Psicologia da Saúde e nas políticas públicas, isso combina muito com promoção de saúde e educação em saúde. No caso da gravidez precoce, faz sentido trabalhar com conteúdos claros sobre sexualidade, autonomia, consentimento e uso de métodos contraceptivos, sempre com linguagem adequada à faixa etária e sem moralismo. Informação boa salva mais do que sermão bonito. O gabarito está correto porque oferece uma ação típica de prevenção primária: instruir antes do desfecho indesejado ocorrer. Isso dialoga com a lógica do SUS e da promoção da saúde, em sintonia com a Lei nº 8.080/1990, que organiza ações de promoção, proteção e recuperação, e com a prática educativa em saúde prevista nas políticas públicas. As demais alternativas tratam de situações posteriores, secundárias ou até inadequadas como estratégia preventiva. Em prova, quando aparecer prevenção primária, pense sempre: eu estou evitando o problema ou só lidando com ele depois?