A psicóloga Luciana coordena um grupo de atendimento e orientação a pais e responsáveis de adolescentes. A avaliação psicológica de adolescentes usuários de álcool revela que a família pode ser um fator de risco ou de proteção para o uso. Em relação ao tema, é correto afirmar que
- A)o apoio da família na aquisição da autonomia é fator de risco.
Errada, porque o apoio familiar à autonomia tende a ser fator de proteção, não de risco, quando vem acompanhado de supervisão e limites.
- B)a atitude permissiva no ambiente familiar constitui fator de risco.
Certa, porque a atitude permissiva no ambiente familiar aumenta a vulnerabilidade do adolescente ao uso de álcool.
- C)a leniência familiar e a curiosidade constituem fatores de proteção.
Errada, porque leniência familiar é fator de risco, e curiosidade isoladamente não é fator de proteção.
- D)a percepção de vínculos de cuidado e monitoramento é fator de risco.
Errada, porque vínculos de cuidado e monitoramento são protetivos, não de risco.
- E)a exposição ao consumo de álcool feito pelos pais é fator de proteção.
Errada, porque a exposição ao consumo de álcool pelos pais funciona como modelagem de risco, não como proteção.
Gabarito: B
Quando a questão fala em uso de álcool na adolescência, vale lembrar que a família pode funcionar como freio ou como acelerador do problema. Em psicologia, fatores de proteção são aqueles que reduzem a chance de uso ou de agravamento, como vínculo afetivo, supervisão, regras claras e comunicação aberta. Já fatores de risco costumam aparecer quando o ambiente é permissivo, incoerente ou até modela o consumo como algo normal. No caso, a banca quer a leitura correta desse cenário familiar. A atitude permissiva dentro de casa, isto é, quando os adultos relativizam, toleram ou deixam passar o uso de álcool, é um fator de risco, porque enfraquece limites e aumenta a vulnerabilidade do adolescente. Em geral, quanto menos supervisão e mais permissividade, maior a chance de uso problemático. A literatura em psicologia do desenvolvimento e prevenção ao uso de substâncias aponta justamente o contrário do que costuma parecer no senso comum: apoio, monitoramento e vínculos de cuidado protegem; permissividade, modelagem pelo consumo dos pais e baixa supervisão aumentam o risco. É aquela velha história: adolescente sem fronteira não ganha liberdade, ganha problema. Por isso, o gabarito é a letra B. As demais alternativas trocam sinais básicos de proteção e risco, invertendo conceitos que aparecem com frequência em avaliação psicológica e em estudos sobre uso de álcool na adolescência.