A promoção funcional de Paula depende da apresentação dos resultados de seu trabalho de pesquisa para uma plateia formada por seus chefes e por especialistas convidados. Paula sofre de fobia social e sempre evita falar em público. Ela antecipa que ficará ruborizada, parecerá boba, esquecerá o que tem que apresentar e receberá uma avaliação negativa. As técnicas da terapia cognitivo-comportamental que podem ser utilizadas nesse caso incluem:
- A)dessensibilização sistemática por meio da exposição da paciente a situações hierarquicamente organizadas, partindo das mais temidas às menos ansiogênicas;
Errada, porque a exposição gradual pode ser usada na TCC, mas a frase descreve a lógica de dessensibilização de forma imprecisa e não é a melhor resposta para o caso apresentado.
- B)manejo de estresse e relaxamento para ensinar a paciente a adotar rituais e ações mentais de controle quando surgirem pensamentos fóbicos;
Errada, porque relaxamento pode ajudar no manejo da ansiedade, mas a descrição mistura termos inadequados e não aponta a técnica central para lidar com os pensamentos fóbicos.
- C)treino de habilidades sociais para fornecer à paciente um repertório de comportamentos pessoais e sociais de congelamento, luta e fuga;
Errada, porque treino de habilidades sociais pode ser útil em alguns quadros, mas a alternativa traz uma descrição conceitualmente equivocada e não corresponde ao mecanismo principal da TCC neste caso.
- D)reestruturação cognitiva para identificação, questionamento e modificação dos pensamentos disfuncionais negativos que geram e mantêm a ansiedade fóbica;
Certa, porque a reestruturação cognitiva atua exatamente na identificação, questionamento e modificação dos pensamentos automáticos negativos que mantêm a ansiedade social.
- E)análise das experiências traumáticas infantis que estão na origem do comportamento evitativo e da inibição social precoce da paciente.
Errada, porque investigar traumas infantis é uma lógica mais associada a abordagens psicodinâmicas, e não a técnica típica da TCC para fobia social.
Gabarito: D
A fobia social, hoje chamada no DSM-5 de transtorno de ansiedade social, costuma aparecer assim: a pessoa imagina a cena antes mesmo de ela acontecer, já entra no modo catástrofe e passa a evitar tudo o que envolve julgamento dos outros. Paula faz exatamente isso: antecipa rubor, humilhação, esquecimento e avaliação negativa. Na terapia cognitivo-comportamental, o foco é mexer nesse ciclo de pensamentos distorcidos, ansiedade e evitamento. Entre as técnicas da TCC, a reestruturação cognitiva é uma das mais clássicas. Ela serve para identificar pensamentos automáticos negativos, questionar se eles são mesmo verdadeiros e substituí-los por interpretações mais realistas. No caso, a paciente não precisa ser convencida de que “vai dar tudo certo”, mas de que suas previsões de desastre não são fatos e podem ser testadas e ajustadas. Por isso o gabarito é a letra D. A paciente já chega dominada por cognições disfuncionais do tipo “vou parecer boba”, “vou travar”, “vão me avaliar mal”. A TCC trabalha justamente essas crenças e pensamentos antecipatórios, porque eles mantêm a ansiedade social e reforçam a evitação. Em linguagem de prova: a técnica correta é a que ataca o pensamento distorcido que alimenta o sintoma. As outras alternativas misturam conceitos ou exageram a ideia de “origem” do problema, mais próxima de abordagens psicodinâmicas do que da TCC. Aqui, o coração da questão é simples: se o problema é a interpretação catastrófica da situação social, a técnica certa é reestruturar essa interpretação.