O tabagismo é o principal fator de risco para enfermidades e incapacitações prematuras e evitáveis. Considerando que é na adolescência que ocorre a iniciação do uso do tabaco, a psicóloga Ana propôs um trabalho em equipe multidisciplinar a ser desenvolvido junto a alunos do Ensino Médio. Um programa de Psicologia da Saúde focado na prevenção primária ao uso do tabaco poderá usar como estratégia:
- A)a oferta de informações em linguagem acessível sobre o risco de dependência do tabaco e suas consequências para a saúde;
Correta, porque informação clara e acessível é uma ação típica de prevenção primária, feita antes da iniciação do uso do tabaco.
- B)o atendimento terapêutico em grupo de ajuda mútua voltado para adolescentes tabagistas que desejam parar de fumar;
Errada, porque grupo de ajuda mútua para parar de fumar é intervenção para quem já é tabagista, não prevenção primária.
- C)a redução de danos por meio do fornecimento de chicletes de nicotina ou de cigarros eletrônicos para os adolescentes;
Errada, porque redução de danos e substitutos nicotínicos são estratégias mais próximas de cessação ou manejo do uso, não de prevenção da iniciação em adolescentes.
- D)a descriminalização da venda de cigarros a menores de idade e a proibição de fumar em ambientes fechados;
Errada, porque descriminalizar a venda para menores contraria a proteção à infância e adolescência e a legislação brasileira de controle do tabaco.
- E)evitar tratar do tema tabagismo a fim de não despertar nos jovens a curiosidade e o desejo de experimentar cigarros.
Errada, porque evitar o tema é omissão preventiva; em saúde, silenciar sobre o risco não protege e ainda pode aumentar a vulnerabilidade.
Gabarito: A
Prevenção primária é a atuação antes de o problema aparecer, ou seja, antes de o adolescente começar a fumar. A ideia é reduzir fatores de risco e aumentar fatores de proteção, trabalhando informação, habilidades de vida, vínculo com a escola e consciência crítica sobre a pressão social e a indústria do tabaco. É o famoso "melhor prevenir do que remediar", só que com base técnica. No tabagismo, isso faz ainda mais sentido porque a iniciação costuma ocorrer na adolescência, fase em que curiosidade, influência dos pares e busca de pertencimento pesam bastante. Por isso, um programa de Psicologia da Saúde voltado à prevenção primária deve agir com educação em saúde e promoção de escolhas saudáveis, e não com medidas pensadas para quem já fuma. A alternativa correta é a letra A, porque oferecer informações em linguagem acessível sobre dependência e consequências do tabaco é uma estratégia clássica de prevenção primária. Ela atua antes do comportamento se consolidar, ajudando o jovem a reconhecer riscos e a resistir à experimentação. As demais alternativas tratam de intervenção terapêutica para quem já fuma, medidas de redução de danos ou até propostas absurdas e contrárias à proteção de menores. Em saúde pública e na lógica da Lei nº 9.294/1996, a direção é justamente restringir o tabaco, não facilitar o acesso nem normalizar seu uso.