Os irmãos Jorge e Estela estão brigando por conta da situação da mãe senil, que não pode mais morar sozinha. Jorge se dispõe a pagar uma casa de repouso, mas Estela afirma que isso é abandono familiar e quer que ambos se revezem cuidando da idosa em suas respectivas casas. No caso em tela, o mediador de conflitos buscará:
- A)decidir o desentendimento com foco no melhor interesse da idosa;
Errada, porque o mediador não decide a controvérsia nem atua com foco em definir o melhor interesse da idosa como se fosse um julgador.
- B)identificar qual dos dois irmãos tem razão na controvérsia;
Errada, porque identificar quem tem razão é função incompatível com a mediação, que não busca atribuição de culpa ou vitória de um lado.
- C)intermediar o diálogo para a busca de uma solução consensual;
Certa, porque a mediação consiste em facilitar o diálogo entre as partes para que elas mesmas construam uma solução consensual.
- D)orientar e encaminhar as partes para a autocomposição judicial;
Errada, porque orientar e encaminhar para autocomposição judicial remete mais a uma atuação de triagem ou encaminhamento, não ao núcleo da mediação.
- E)ouvir cada irmão separadamente para prevenir novos confrontos.
Errada, porque ouvir separadamente pode até ocorrer em técnica de mediação, mas não é a finalidade principal, que é promover a comunicação e o acordo.
Gabarito: C
Na mediação de conflitos, o foco não é dizer quem está certo ou errado, nem impor uma solução pronta. O mediador atua como terceiro imparcial para facilitar a comunicação, diminuir a escalada do conflito e ajudar as partes a construírem, por elas mesmas, uma saída possível e aceitável. É uma lógica bem diferente da do juiz: aqui não há sentença, há diálogo guiado. No caso, Jorge e Estela estão em disputa sobre o cuidado da mãe idosa. O mediador não vai escolher entre casa de repouso ou revezamento, muito menos decidir com base em "culpa" de um dos irmãos. O que ele faz é organizar a conversa, identificar interesses reais por trás das posições e abrir espaço para que os dois encontrem um acordo viável. Em conflito familiar, isso costuma ser ainda mais importante, porque a emoção vem com força total e atrapalha a conversa civilizada. Por isso, o gabarito é a letra C. O papel do mediador é intermediar o diálogo para a busca de uma solução consensual, preservando a autonomia das partes. Esse entendimento combina com a lógica da mediação prevista na Lei 13.140/2015, que privilegia a autocomposição, e com a ideia de métodos adequados de solução de conflitos, muito cobrada em Psicologia Jurídica. Em resumo: mediador não julga, não escolhe vencedor e não substitui a vontade dos envolvidos. Ele ajuda a conversa a acontecer de modo produtivo, para que a solução nasça das próprias partes, e não de uma imposição externa.