Carl Gustav Jung, em sua obra “Psicologia e Religião”, sustenta acerca do fenômeno religioso que
- A)a vivência da religião é causa das neuroses que assolam o homem, marcando-o com o sentido de culpa.
Errada, porque Jung não trata a religião como causa das neuroses; ao contrário, ela pode ter função psíquica organizadora e de sentido.
- B)seria resultado de um epifenômeno, um produto secundário do processo orgânico do cérebro.
Errada, pois reduzir a religião a um epifenômeno cerebral é uma explicação biologizante incompatível com a visão junguiana.
- C)as principais figuras simbólicas de uma religião não são capazes de expressar a atitude moral e espiritual específica daquela religião.
Errada, porque Jung atribui aos símbolos religiosos justamente a capacidade de expressar a atitude moral e espiritual de uma religião.
- D)não chega a configurar uma relação com valor supremo ou mais poderoso, seja ele positivo ou negativo, mas sim relação voluntária com um dos diversos valores humanos possíveis.
Errada, já que para Jung a relação religiosa não é uma escolha voluntária comum, mas uma relação psíquica com forte valor e impacto na vida do sujeito.
- E)toda confissão religiosa se funda originalmente na experiência do numinoso.
Certa, porque Jung afirma que toda confissão religiosa se funda originalmente na experiência do numinoso, ou seja, no contato psíquico com o sagrado.
Gabarito: E
Para Jung, religião não é simplesmente superstição, doença ou invenção social. Ela nasce de uma experiência psíquica profunda, ligada ao contato com o numinoso, isto é, com algo vivido como misterioso, fascinante e ao mesmo tempo grandioso, que toca a pessoa por dentro. Em linguagem junguiana, o fenômeno religioso tem raiz na própria estrutura da psique e não pode ser reduzido a mera fantasia ou a um defeito do cérebro. A ideia central de “Psicologia e Religião” é justamente essa: toda confissão religiosa se organiza, no começo, a partir da experiência do numinoso. Depois, essa vivência é traduzida em símbolos, ritos, dogmas e imagens sagradas. Então, a religião não é um apêndice qualquer da vida humana, mas uma forma de dar expressão a conteúdos psíquicos profundos. Por isso, a alternativa E está correta. Jung segue a linha de Rudolf Otto ao usar o conceito de numinoso para explicar o núcleo da experiência religiosa. Não se trata de dizer que toda religião é igual, mas que toda tradição religiosa, em sua origem, nasce desse encontro subjetivo com o sagrado, que é vivido como algo absolutamente significativo. Na prática de prova, guarde esta lógica: para Jung, religião não é redução biológica nem moralismo puro, e sim experiência simbólica com base psíquica profunda. Se a questão falar em numinoso, símbolo, experiência interior do sagrado ou origem psíquica da religião, você já acende a luz amarela de Jung.