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Psicologia · FGV · 2022

Questão comentada de Psicologia

Paulo e Diana são casados há dez anos. Nina, filha de Diana de 13 anos, dá a Paulo o tratamento de pai e Paulo quer reconhecê-la formalmente como filha. Esse procedimento é conhecido como:

Gabarito: D

Aqui a palavra-chave é afeto com aparência de vínculo parental real. Quando uma criança ou adolescente trata alguém como pai ou mãe, e essa relação se consolida no dia a dia com posse do estado de filho, pode existir reconhecimento de paternidade socioafetiva. Não depende de vínculo biológico: o que importa é a relação construída, pública, contínua e estável, com função parental de fato. No caso, Nina é filha de Diana, mas chama Paulo de pai e Paulo quer reconhecê-la formalmente como filha. Isso descreve exatamente a paternidade socioafetiva, que é aceita pela doutrina, pela jurisprudência e pelo sistema jurídico brasileiro. O Código Civil, no art. 1.593, admite parentesco natural ou civil, e a ideia de filiação socioafetiva foi consolidada pela prática forense e pelos tribunais superiores. O STF, ao tratar da multiparentalidade, e o STJ, em diversos julgados, reforçam que a filiação não se resume ao DNA: cuidado, afeto, convivência e reconhecimento social também contam. Em outras palavras, pai não é só quem participa da cena biológica, mas quem efetivamente exerce a função paterna. A vida, às vezes, é mais formal do que a certidão - mas a Justiça sabe olhar para o cotidiano. Por isso o gabarito é D. Paulo quer reconhecer formalmente uma relação de pai e filha já construída na prática, sem falar em adoção, investigação genética ou guarda. É o típico caso de paternidade socioafetiva.

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