A atuação profissional do psicólogo nas políticas públicas, com base na perspectiva dos direitos humanos, deve se caracterizar por: I. avaliar o indivíduo na seleção de empregos e progressão escolar; II. voltar-se para o rompimento dos padrões normativos e opressores da diversidade humana; III. considerar a dimensão subjetiva no trabalho junto às políticas públicas. Está correto somente o que se afirma em:
- A)I;
Errada: selecionar para emprego e progressão escolar não expressa uma atuação em direitos humanos nas políticas públicas, mas uma lógica de triagem e classificação.
- B)II;
Certa: romper padrões normativos e opressores é exatamente uma postura alinhada à defesa da diversidade humana e dos direitos humanos.
- C)III;
Certa: a dimensão subjetiva deve ser considerada nas políticas públicas, porque as pessoas não são só números ou demandas administrativas.
- D)I e II;
- E)II e III.
Gabarito: E
Quando a Psicologia atua em políticas públicas, o foco deixa de ser “selecionar os melhores” e passa a ser garantir direitos, acesso, cuidado e inclusão. Na perspectiva dos direitos humanos, o psicólogo não trabalha para encaixar a pessoa em um modelo padrão, mas para reconhecer a diversidade humana e enfrentar práticas que geram exclusão, estigma e opressão. Por isso, a ideia de romper padrões normativos e opressores faz todo sentido. A atuação em políticas públicas deve combater rótulos prontos e práticas que tratam diferenças como defeitos. Em vez de reforçar controles e classificações, a Psicologia contribui para ampliar cidadania e proteger pessoas e grupos vulnerabilizados. Outro ponto central é considerar a dimensão subjetiva. Políticas públicas lidam com renda, moradia, saúde, educação e assistência, mas também com sofrimento, vínculos, histórias de vida e modos singulares de viver. Ignorar isso empobrece o trabalho e transforma a intervenção em algo frio e burocrático. Já a avaliação do indivíduo para seleção de empregos e progressão escolar não traduz essa lógica de direitos humanos. Isso remete mais a processos de triagem e classificação do que à atuação crítica e inclusiva esperada nas políticas públicas. Em linhas gerais, a questão conversa com os princípios éticos da profissão e com a defesa da dignidade humana prevista na Constituição de 1988 e no Código de Ética Profissional do Psicólogo.