As técnicas de intervenção breve junto a usuários de álcool e outras drogas apontam a importância de identificar a prontidão do usuário para empreender uma mudança em seu padrão de comportamento. Levado pelo pai a uma consulta após ser detido quando dirigia embriagado, Felipe, 20 anos, relatou que iniciou o uso de álcool e maconha na adolescência e que fica descontraído quando bebe ou fuma. Em suas palavras: “Eu não sou viciado, uso para me divertir e paro quando quiser”. Considerando os estágios de mudança descritos nessas técnicas, Felipe se encontra no estágio de
- A)manutenção.
Errada, porque manutenção pressupõe que a pessoa já mudou o comportamento e está sustentando essa mudança ao longo do tempo.
- B)contemplação.
Errada, porque contemplação envolve reconhecer o problema e ficar ambivalente, mas Felipe ainda nega que tenha um uso problemático.
- C)pré-contemplação.
Certa, porque ele minimiza o uso, não reconhece o problema e não manifesta intenção de mudar, características da pré-contemplação.
- D)movimentação.
Errada, porque movimentação não é um estágio clássico do modelo transteórico de mudança usado nessas intervenções.
- E)reabilitação.
Errada, porque reabilitação não corresponde a um dos estágios do modelo de mudança descrito na questão.
Gabarito: C
Nas técnicas de intervenção breve para álcool e outras drogas, é essencial perceber em que fase a pessoa está no processo de mudança. O modelo transteórico, muito cobrado em Psicologia, costuma organizar isso em estágios como pré-contemplação, contemplação, preparação, ação e manutenção. A lógica é simples: nem todo mundo que usa substância quer mudar, e insistir em “dar sermão” para quem ainda não reconhece problema costuma falhar bonito. Na pré-contemplação, a pessoa não reconhece o uso como problema, minimiza os riscos e não pensa em mudar agora. É exatamente o perfil de Felipe: ele diz que não é viciado, que usa para se divertir e que para quando quiser. Ou seja, ele não demonstra intenção real de mudança, apenas nega ou reduz a gravidade do comportamento. Já na contemplação, a pessoa até começa a admitir que existe um problema, mas ainda está ambivalente, pensando em mudar no futuro. Felipe não chegou nem a esse ponto, porque sua fala é de negação, não de dúvida. Por isso, o gabarito é a letra C. Esse modelo é clássico na abordagem motivacional e aparece em intervenções breves justamente para adaptar a conduta do profissional ao nível de prontidão do usuário. Primeiro vem a escuta e a identificação do estágio; depois, a estratégia certa. Em concurso, a banca adora trocar “negação” por “ambivalência” para ver se você cai na conversa.