No bojo das discussões sobre Teorias de Gênero, Judith Butler apresenta a noção de paródia de gênero que:
- A)revela que a identidade original sobre a qual se molda o gênero é uma imitação sem origem;
Certa: expressa a crítica de Butler à ideia de um original de gênero, mostrando que o que parece origem é construção repetida.
- B)presume a existência de um original que essas identidades parodísticas imitem;
Errada: Butler não parte da existência de um original verdadeiro para ser imitado; ela questiona justamente essa origem.
- C)reafirma o binarismo heterossexual que estabelece uma correlação entre sexo e gênero;
Errada: essa alternativa reforça o binarismo heterossexual, que é exatamente o tipo de estrutura criticada por Butler.
- D)naturaliza e essencializa a compulsoriedade da heterossexualidade;
Errada: Butler não naturaliza a heterossexualidade compulsória, mas problematiza sua imposição como norma social.
- E)identifica que o sexo e o gênero são entidades substancial e essencialmente naturais.
Errada: para Butler, sexo e gênero não são entidades substancialmente naturais e essenciais, mas produzidos discursivamente.
Gabarito: A
Judith Butler, ao discutir gênero, bate justamente na ideia de que o que chamamos de "masculino" ou "feminino" não nasce pronto, natural e imutável. Para ela, gênero é performativo: ele vai sendo produzido por atos repetidos, normas sociais e encenações do cotidiano. Não existe uma essência escondida por trás do gênero esperando ser descoberta como se fosse um objeto no fundo de uma gaveta. A noção de paródia de gênero entra como uma forma de mostrar que aquilo que parece "original" é, na verdade, também uma construção. Quando Butler fala em paródia, ela está apontando que as identidades de gênero podem imitar outras performances já socialmente estabilizadas, revelando que o suposto modelo original não passa de uma repetição anterior. Ou seja, o original vira quase uma lenda urbana teórica: todo mundo fala, mas ninguém encontra. É por isso que a alternativa A está correta: ela capta a ideia de que a identidade original sobre a qual o gênero se molda é, na verdade, uma imitação sem origem fixa. Butler questiona a crença em uma essência anterior ao gênero e mostra que o que chamamos de natural é produzido por normas reiteradas. Isso aparece de forma clássica em obras como Problemas de Gênero (1990), em que a autora desmonta a noção de identidade de gênero como algo estável e pré-discursivo. As demais alternativas seguem o caminho oposto ao pensamento de Butler, porque tratam gênero e sexo como naturais, binários ou dependentes de um original verdadeiro. Em concursos, quando a banca fala em Butler, desconfie de tudo que soe como "essência", "natureza" e "correlação fixa": geralmente é a armadilha mais bonita da prova.