O consumo do crack tornou-se um problema de saúde pública e de segurança que afeta o Brasil como um todo. O conjunto de políticas e programas estruturados com o propósito de diminuir as consequências adversas do uso de crack, do ponto de vista sanitário, social e econômico é uma estratégia de:
- A)promoção da abstinência;
Errada, porque promoção da abstinência é um objetivo possível do tratamento, mas não define a estratégia ampla descrita no enunciado.
- B)evitação de recaídas;
Errada, porque evitação de recaídas é uma meta clínica específica, não um conjunto de políticas públicas com foco sanitário, social e econômico.
- C)prevenção ao uso recreativo de drogas;
Errada, porque prevenção ao uso recreativo atua antes ou na entrada do uso, enquanto o enunciado trata de reduzir danos já decorrentes do crack.
- D)controle da tolerância;
Errada, porque controle da tolerância é um conceito farmacológico, não uma política de saúde pública para enfrentar os impactos do crack.
- E)redução de danos.
Certa, porque redução de danos busca diminuir consequências adversas do uso de drogas mesmo quando a abstinência não é imediatamente alcançada.
Gabarito: E
A questão está falando de uma estratégia que não finge que o problema vai sumir por mágica, mas tenta reduzir o estrago enquanto a pessoa ainda está em uso. Isso é muito típico da lógica de redução de danos: diminuir consequências sanitárias, sociais e econômicas associadas ao consumo de uma substância, mesmo quando a abstinência imediata não é possível ou não é a única meta. No caso do crack, essa abordagem é especialmente importante porque o uso costuma vir acompanhado de vulnerabilidade social, risco de infecções, violência, perda de vínculos e agravamento de doenças físicas e mentais. Então, o foco não é apenas “parar tudo agora”, e sim proteger a vida, ampliar acesso ao cuidado e reduzir riscos concretos. Por isso o gabarito é a letra E. Em políticas públicas de saúde no Brasil, a redução de danos é uma diretriz consolidada na Rede de Atenção Psicossocial e nas ações de saúde voltadas ao cuidado de usuários de álcool e outras drogas, dialogando com a lógica do SUS de atenção integral e não excludente. Em outras palavras: primeiro diminuir o prejuízo, depois ampliar o vínculo e o tratamento. As demais alternativas tentam puxar a questão para objetivos mais restritos, como abstinência total, prevenção de recaída ou simples controle de tolerância, mas nenhuma delas descreve o conjunto de políticas e programas voltados a reduzir as consequências adversas do crack em várias dimensões.