Em “Os complexos familiares na formação do indivíduo”, Lacan (1938) é influenciado pelas teses sociológicas de Durkheim ao lançar luz sobre as causas que conduziriam ao empobrecimento identificatório das famílias e à mudança das formas clínicas das neuroses. A causa central seria, nesse momento de seu pensamento, o(a):
- A)feminização da sociedade;
Errada: a feminização da sociedade não é a causa central formulada por Lacan nesse texto.
- B)complexo fraterno;
Errada: o complexo fraterno aparece em outros desenvolvimentos teóricos, mas não é a explicação central pedida aqui.
- C)declínio da imago paterna;
Certa: Lacan aponta o declínio da imago paterna como a causa principal do empobrecimento identificatório e da mudança nas neuroses.
- D)discurso do capitalista;
Errada: discurso do capitalista é uma formulação muito posterior de Lacan e não tem relação com o texto de 1938.
- E)imperativo de gozo.
Errada: imperativo de gozo também é um conceito posterior, ligado a outra fase da teoria lacaniana.
Gabarito: C
Em 1938, em "Os complexos familiares na formação do indivíduo", Lacan ainda está muito ligado a uma leitura sociológica da família. Ele olha para a família não só como espaço afetivo, mas como uma estrutura que organiza identificações e ajuda a formar o sujeito. A ideia central do texto é que as mudanças sociais modernas enfraquecem certas referências simbólicas dentro da família. Com isso, a criança fica com menos apoio para construir sua imagem de si e suas identificações. É aí que entram as referências a Durkheim, porque Lacan está pensando a família também como produto de transformações sociais mais amplas. O ponto decisivo, nesse momento do pensamento lacaniano, é o declínio da imago paterna. Ou seja, a figura do pai perde força como referência organizadora, o que empobrece o processo identificatório e repercute na forma das neuroses. Não é ainda o Lacan do discurso do capitalista ou do imperativo de gozo, que pertencem a fases bem posteriores. Então, o gabarito C está correto porque resume exatamente essa tese de 1938: a fragilização da função paterna como causa central das mudanças clínicas e do empobrecimento das identificações familiares.