Winnicott valoriza o fator ambiental para compreender o amadurecimento emocional precoce, de tal maneira que a saúde mental nos primórdios da infância dependerá do provimento de cuidados dispensados à criança por uma mãe suficientemente boa. Num ambiente favorável, o amadurecimento corresponde a uma progressão que parte de um estado primeiro que envolve a adaptação suficientemente boa da mãe às necessidades de seu bebê, levando em seguida a um estado de integração que diferencia o Eu do Não-Eu e cria condições para quando, finalmente, o indivíduo, na saúde, se integrar como pessoa inteira. Esses três momentos são classificados por Winnicott, respectivamente, como:
- A)fase oral – fase anal – período de latência;
Errada, porque fase oral, fase anal e latência são etapas do desenvolvimento psicossexual freudiano, não a sequência proposta por Winnicott.
- B)posição depressiva – posição esquizoparanoide – resolução edipiana;
Errada, porque posição esquizoparanoide, posição depressiva e resolução edípica pertencem à teoria de Melanie Klein, não à de Winnicott.
- C)autoerotismo – narcisismo – escolha objetal;
Errada, porque autoerotismo, narcisismo e escolha objetal são conceitos ligados à metapsicologia freudiana, especialmente ao desenvolvimento da libido.
- D)confiança vs desconfiança – iniciativa vs culpa – intimidade vs isolamento;
Errada, porque confiança vs desconfiança, iniciativa vs culpa e intimidade vs isolamento são estágios do desenvolvimento psicossocial de Erik Erikson.
- E)dependência absoluta – dependência relativa – independência.
Certa, porque Winnicott descreve o amadurecimento inicial como passagem de dependência absoluta para dependência relativa e, depois, independência.
Gabarito: E
Winnicott entende que o bebê não começa a vida já “pronto” por dentro: ele depende muito do ambiente, especialmente da chamada mãe suficientemente boa. Essa mãe não precisa ser perfeita, mas precisa atender bem às necessidades iniciais do bebê, para que ele consiga amadurecer emocionalmente sem se desorganizar. Em outras palavras, no começo da vida, o cuidado externo ajuda a construir a vida psíquica interna. Na teoria de Winnicott, esse amadurecimento precoce passa por três momentos bem conhecidos. Primeiro vem a dependência absoluta, quando o bebê depende quase totalmente do cuidado materno e ainda não diferencia bem o que é dele e o que é do ambiente. Depois aparece a dependência relativa, quando ele já suporta pequenas falhas e começa a perceber melhor a realidade ao redor. Por fim, chega a independência, estágio em que a pessoa consegue sustentar sua organização emocional com maior autonomia. É exatamente isso que a alternativa E descreve. O enunciado fala de uma adaptação suficientemente boa da mãe às necessidades do bebê, depois da diferenciação entre Eu e Não-Eu, e por último da integração como pessoa inteira. Essa sequência corresponde ao percurso winnicottiano de dependência absoluta, dependência relativa e independência. Aqui a banca está cobrando a lógica central do autor: primeiro o bebê precisa ser sustentado, depois vai se separando psicicamente, e só então ganha autonomia real. Se você lembrar que Winnicott pensa o desenvolvimento como um processo de sustentação ambiental, você mata essa questão sem sofrimento. É o tipo de tema em que a banca troca nomes parecidos para ver se você confundiu com Freud, Erikson ou Klein. Mas, para Winnicott, a chave é sempre o cuidado inicial e a passagem gradual da dependência para a autonomia.