Segundo a visão de Sigmund Freud em “Totem e Tabu”, a religião se originaria
- A)de uma intuição radical de percepção do divino.
Errada, porque Freud nao trata a religiao como intuicao imediata de um divino, mas como producao psiquica ligada a culpa e repressao.
- B)de imagens criadas pelo córtex cerebral.
Errada, pois a explicacao freudiana nao e neurologica nem localiza a religiao em imagens do cortex cerebral.
- C)da culpa que se seguiria ao mito do assassinato do pai primevo.
Certa, porque em Totem e Tabu Freud relaciona a religiao ao sentimento de culpa surgido apos o mito do assassinato do pai primevo.
- D)da lei natural moral inscrita na natureza humana.
Errada, porque essa ideia remete mais ao jusnaturalismo ou a moralidade natural do que a teoria psicanalitica de Freud.
- E)da superestrutura das relações econômicas.
Errada, pois a superestrutura das relacoes economicas e uma explicacao marxista, nao freudiana.
Gabarito: C
Em Totem e Tabu, Freud tenta explicar a origem da religião a partir de um drama psíquico e social: a horda primitiva teria matado o pai tirânico, e depois disso surgiriam culpa, arrependimento e a necessidade de criar regras, ritos e proibicoes. Ou seja, a religiao nao aparece como uma luz divina caindo do ceu, mas como resposta humana a uma falta muito mal resolvida. A ideia central e que o sentimento de culpa, depois do mito do assassinato do pai primevo, empurra o grupo para formas de obediencia simbolica. O pai morto vira uma especie de figura sagrada, e os tabus e sacramentos funcionam como tentativas de lidar com o desejo proibido e com a culpa coletiva. Freud aproxima isso do funcionamento do inconsciente: o que foi reprimido nao desaparece, volta disfarçado em simbolos e rituais. Por isso, a letra C esta correta: ela traduz exatamente a explicacao freudiana para a origem da religiao em Totem e Tabu. Em vez de uma explicacao teologica ou biologica, Freud usa uma leitura psicodinamica, ligada ao complexo de Edipo, ao parricidio simbolico e ao sentimento de culpa que o sucede. Em prova, pense assim: se a banca citar Freud e Totem e Tabu, desconfie de alternativas que falem em revelacao divina, moral natural ou economia. Freud gosta de colocar a religiao no palco da culpa, do desejo e da repressao. E, nesse roteiro, o pai sempre acaba roubando a cena.