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Psicologia · FGV · 2022

Questão comentada de Psicologia

A aposentada Joaquina, 72 anos, foi presa em flagrante logo após sair de um supermercado de onde havia furtado duas garrafas de whisky e artigos variados de perfumaria. Na Delegacia, Joaquina declarou que, ao pagar suas compras no caixa de autoatendimento, esqueceu-se de incluir estes itens. Sobre essa situação, é correto afirmar que:

Gabarito: E

A questão mistura direito penal, execução penal e uma boa dose de pegadinha sobre idade. O simples fato de a pessoa ter 72 anos não a torna inimputável, porque a inimputabilidade penal, no Brasil, decorre de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto/retardado, e não da idade avançada. Ou seja: ser idoso não apaga a responsabilidade penal de ninguém, embora a idade possa gerar benefícios na execução da pena. No caso de Joaquina, o ponto relevante não é a imputabilidade, mas sim a possível aplicação de regras mais favoráveis na fase de cumprimento da pena, se houver condenação. O Código Penal, no art. 33, parágrafo 2º, alínea c, e na sistemática da execução penal, admite tratamento mais brando para condenados idosos, com possibilidade de regime aberto e, conforme o caso, cumprimento em residência particular quando presentes os requisitos legais e a decisão judicial assim determinar. Por isso, a alternativa correta é a letra E: maiores de 70 anos podem se beneficiar do regime aberto em sua residência, se condenados. A ideia aqui é proteção humanitária na execução da pena, não perdão penal. Doutrina e jurisprudência costumam tratar essa solução como medida excepcional e vinculada ao caso concreto, especialmente quando a idade avançada recomenda menor rigor carcerário. Em resumo: idade avançada não gera inimputabilidade, não autoriza internação compulsória por si só e não transforma a família em responsável penal automática. O que a lei permite é uma execução penal mais humanizada para o idoso condenado.

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