Alexandra, 3 anos, foi levada por sua mãe, Rebeca, para o hospital, pois teria apresentado sonolência excessiva, dor abdominal e sangramentos nasais. Após cuidadosa avaliação e acompanhamento da criança, verificou-se que a mãe da menina estaria injetando medicamentos na filha, que foram a razão do surgimento dos sintomas de Alexandra. A dinâmica em análise é compatível com os sintomas de:
- A)depressão;
Depressão não explica a produção intencional de sintomas físicos na criança por parte da mãe.
- B)psicose puerperal;
Psicose puerperal é um transtorno grave do pós-parto na mãe, mas não corresponde à indução de doença em um filho de forma deliberada.
- C)síndrome de Münchausen por procuração;
É o quadro clássico de transtorno factício imposto a outro, em que o cuidador causa ou fabrica sintomas na vítima sob seus cuidados.
- D)esquizofrenia;
Esquizofrenia é um transtorno psicótico e não tem relação com esse padrão de abuso medicamente induzido pela mãe.
- E)síndrome de Münchausen.
Síndrome de Münchausen, isoladamente, refere-se ao transtorno factício em si mesmo, e não ao ato de provocar sintomas em outra pessoa.
Gabarito: C
Aqui a ideia central é entender a diferença entre um transtorno que afeta a própria pessoa e uma situação em que alguém provoca ou inventa sintomas em outra. Na Psicologia da Saúde, isso aparece muito em casos de simulação, transtornos factícios e abuso por cuidador, que costumam confundir mesmo porque o quadro clínico parece “do nada”. No caso narrado, a mãe está injetando medicamentos na filha e, com isso, produzindo sintomas reais na criança. Ou seja, a vítima é Alexandra, mas a origem do adoecimento está no comportamento da cuidadora. Isso é clássico de síndrome de Münchausen por procuração, também chamada de transtorno factício imposto a outro, em que o cuidador falsifica, exagera ou causa sinais e sintomas em uma pessoa sob seus cuidados para assumir o papel de responsável por uma criança doente. O ponto-chave é que não se trata de a própria mãe ter sintomas psiquiátricos “em si”, mas de provocar doença na criança para chamar atenção, obter cuidado médico ou se colocar no centro da situação. Em provas, a palavra-chave costuma ser exatamente essa: um adulto induzindo sintomas em terceiro dependente, principalmente filho pequeno. Por isso o gabarito é C. As demais alternativas falam de quadros psiquiátricos que não explicam a dinâmica descrita. Em termos doutrinários, a literatura psiquiátrica classifica isso como transtorno factício imposto a outro, e o cuidado aqui é perceber que há um sofrimento real na vítima, mesmo que a intenção do cuidador seja psicológica e manipulativa.