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Psicologia · FGV · 2022

Questão comentada de Psicologia

Freud lança mão de um mito, desde o seu conhecido texto Totem e Tabu (1912-13), para descrever que na pré-história da civilização humana havia aquele que exercia o poder tirânico de gozar de todas as mulheres, frente ao qual os filhos se reúnem para cometer o crime originário. A partir de então, é estabelecido o pacto civilizatório que organiza as linhagens familiares através do interdito entre as gerações. Tal mito é o

Gabarito: E

Em Totem e Tabu, Freud usa um mito para pensar a origem da vida social e das regras que limitam o desejo. A ideia é simples e poderosa: antes da ordem civilizatória, haveria uma figura de pai todo-poderoso, que concentrava o gozo e o comando, deixando os filhos em posição de submissão. Isso serve como imagem do excesso de poder e do desejo sem freio. Segundo o mito freudiano, os filhos se unem, matam esse pai da horda e, depois do crime, sentem culpa. A partir daí, nasce o pacto civilizatório: surgem a proibição do incesto, o interdito entre as gerações e a organização simbólica da família e da cultura. Em outras palavras, a civilização não começa com um abraço coletivo, mas com um conflito bem feio e depois muita culpa para organizar a casa. Por isso, o mito referido no enunciado é o do pai da horda primeva. Ele é central na teoria freudiana para explicar a origem do totemismo, da lei e da repressão dos impulsos. Não é um mito literário qualquer, mas um recurso teórico de Freud para pensar como a cultura se estrutura a partir da renúncia pulsional e da interdição. Esse tema aparece diretamente em Totem e Tabu e se conecta à noção de complexo de Édipo, mas não é a mesma coisa: o Édipo é a formulação do desejo infantil, enquanto a horda primeva é o mito antropológico usado para explicar a fundação da civilização.

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