Os transtornos da personalidade (TP) são um grupo de doenças psiquiátricas em que a pessoa tem um padrão de pensamento e comportamento bastante rígido e mal ajustado. Cada TP é definido por prejuízos típicos no funcionamento da personalidade e traços de personalidade patológicos característicos. Jéssica, advogada de 27 anos, deseja permanentemente ser o foco da admiração de todos e acredita ter direito a um tratamento especial e a privilégios. Seus relacionamentos são superficiais e ela espera das pessoas a confirmação do quanto ela é única e superior. É possível reconhecer em Jéssica as características do transtorno da personalidade
- A)histriônica.
Errada: o transtorno histriônico envolve busca de atenção e emotividade excessiva, mas não a grandiosidade e o sentimento de privilégio descritos no caso.
- B)borderline.
Errada: o borderline se caracteriza mais por instabilidade afetiva, impulsividade e medo de abandono, não por superioridade e necessidade de admiração.
- C)narcisista.
Certa: os traços citados - desejo de admiração, senso de direito a privilégios e crença de ser única e superior - são típicos do transtorno da personalidade narcisista.
- D)exibicionista.
Errada: “exibicionista” não é a categoria diagnóstica adequada aqui; o quadro descreve um transtorno de personalidade específico, com grandiosidade e exploração interpessoal, e não apenas comportamento chamativo.
- E)maníaca.
Errada: mania é um estado de humor, comum em transtorno bipolar, com euforia, aceleração e redução da necessidade de sono, não um transtorno de personalidade.
Gabarito: C
Os transtornos da personalidade são padrões duradouros de pensar, sentir e agir que fogem muito do esperado para a cultura da pessoa e acabam prejudicando relações, trabalho e adaptação social. Em geral, não são episódios passageiros: a pessoa tende a repetir o mesmo estilo de funcionamento em vários contextos da vida. No enunciado, Jéssica quer ser admirada o tempo todo, acredita ter direito a tratamento especial e privilegia a imagem de ser única e superior. Esse conjunto de traços é clássico do transtorno da personalidade narcisista: necessidade de admiração, senso de grandiosidade e expectativa de privilégios. É a famosa combinação de “eu sou especial” com “o mundo deveria perceber isso o tempo todo”. Esse perfil também costuma vir com relações superficiais, pouca empatia e uso do outro como espelho para reforçar a própria autoestima. A pessoa não quer apenas reconhecimento, ela quer confirmação constante da própria superioridade. Por isso, o caso encaixa diretamente em transtorno da personalidade narcisista. Como referência doutrinária, o DSM-5-TR descreve o TP narcisista justamente por grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia. A lógica da banca é explorar esses sinais-chave, então, ao ver “admiração”, “direito a privilégios” e “superioridade”, pense em narcisismo antes de sair procurando diagnósticos mais dramáticos.