Em Psicologia das massas e análise do eu (1921/2020), Freud analisa as razões pelas quais determinados grupos se organizam de forma intensa, como se estivessem sob efeito de hipnose. Em tais grupos, os membros se identificam horizontalmente entre si na medida em que possuem um elemento comum que os une. Tal elemento consiste:
- A)no instinto primário de agregação, comum em rebanhos.
Errada: Freud não explica a coesão das massas por um instinto primário de agregação, mas por vínculos libidinais e identificações psíquicas.
- B)no objeto de amor colocado no lugar do ideal do Eu.
Certa: o elemento comum é o objeto de amor colocado no lugar do ideal do Eu, que sustenta a identificação entre os membros da massa.
- C)no instinto de autoconservação, em oposição a Eros.
Errada: o texto não trata do instinto de autoconservação em oposição a Eros, e sim das ligações amorosas e identificatórias no grupo.
- D)na pulsão agressiva, tida como principal aliada da cultura.
Errada: a pulsão agressiva não é o mecanismo central de formação da massa em Freud, embora possa aparecer em outros contextos sociais.
- E)no narcisismo das pequenas diferenças, comum às sociedades totêmicas.
Errada: o narcisismo das pequenas diferenças não é a chave explicativa desse fenômeno em Psicologia das massas e análise do eu.
Gabarito: B
Freud, em Psicologia das massas e análise do eu, mostra que os grupos podem ganhar uma coesão muito forte porque seus integrantes não se ligam apenas por interesses racionais, mas por vínculos libidinais. Em outras palavras, a massa funciona como se existisse uma cola emocional, quase hipnótica, que faz cada pessoa se sentir parte de um todo. O ponto central do texto é que, em muitos grupos, as pessoas se identificam horizontalmente entre si porque todas colocam o mesmo objeto de amor no lugar do ideal do Eu. Esse objeto costuma ser um líder, uma figura admirada ou uma representação simbólica que organiza a identificação coletiva. Assim, cada membro se reconhece no outro porque ambos estão ligados ao mesmo referente idealizado. Isso explica por que a massa parece tão unida e, ao mesmo tempo, tão suscetível à influência de quem ocupa essa posição de ideal. Não é um instinto de rebanho biologicamente dado, nem uma simples tendência agressiva: é uma estrutura psíquica de identificação e investimento libidinal. Por isso, o gabarito é a alternativa B. Freud descreve justamente a substituição do ideal do Eu por um objeto de amor comum, o que produz a identificação entre os membros do grupo e a sensação de unidade coletiva.