O modelo familiar com base na relação conjugal heterocisgênera rege nossas compreensões sociais a respeito de como se produzem pais, mães, filhos, filhas e toda a teia de parentesco. Resulta daí a relevância das contribuições teóricas de Judith Butler para a revisão crítica da heteronormatividade, pois, segundo a autora
- A)a concepção cultural de gênero opera como matriz de inteligibilidade à qual está submetido, inclusive, o corpo biológico.
Certa, porque expressa a noção butleriana de que o gênero opera como matriz cultural que torna os corpos e identidades socialmente inteligíveis.
- B)a partilha entre os sexos masculino e feminino deve ser compreendida a partir das fórmulas quânticas de sexuação.
Errada, pois as fórmulas quânticas de sexuação são um conceito da psicanálise, não a chave explicativa usada por Butler.
- C)a homossexualidade e a lesbianidade são capazes de romper com a opressão de gênero e a heterossexualidade compulsória.
Errada, porque Butler não afirma que homossexualidade ou lesbianidade, por si sós, rompem automaticamente a opressão de gênero.
- D)o gênero é um constructo cultural e discursivo sem relação com a anatomia biológica e natural que divide homens e mulheres.
Errada, pois Butler não separa totalmente gênero e anatomia; ela mostra justamente como o corpo também é interpretado por normas culturais e discursivas.
- E)a socioafetividade é o elemento mais importante a ser considerado, sendo atualmente mais valorizado do que a consanguinidade.
Errada, porque socioafetividade é um tema do Direito de Família, não a tese central de Judith Butler sobre heteronormatividade.
Gabarito: A
Judith Butler critica a ideia de que gênero seja algo simplesmente “natural” e fixo, como se a biologia já entregasse pronta a identidade social de homens e mulheres. Para ela, o que chamamos de gênero é produzido por normas culturais, discursos e práticas repetidas, que dão sentido ao corpo e dizem quais vidas parecem “normais” ou “legíveis” socialmente. Em outras palavras, antes de o corpo ser lido, ele já é interpretado por uma moldura cultural.