Ao se debruçar sobre o fetichismo, Freud apresenta um mecanismo de defesa realizado pela criança frente à percepção da ausência de pênis na mãe. O objeto fetiche corresponderia a uma formação de compromisso entre duas correntes psíquicas conflitantes, por meio da qual o sujeito se recusa a reconhecer a castração. Desse modo, tudo se passa como se, nas perversões, o sujeito conseguisse manter esse paradoxo psíquico que consiste em saber algo da castração, querendo ao mesmo tempo nada saber dela. Tal mecanismo é chamado por Freud de
- A)renegação.
Correta: a renegação é o mecanismo em que o sujeito reconhece a castração, mas ao mesmo tempo a desmente, criando uma solução de compromisso.
- B)recalque.
Errada: o recalque empurra representações para o inconsciente, mas não descreve o "saber e não saber" simultâneo típico do fetichismo.
- C)foraclusão.
Errada: a foraclusão é a exclusão radical de um significante, mais ligada à psicose, e não à defesa do fetichismo.
- D)denegação.
Errada: a denegação é quando algo recalcado aparece com um "não é isso", mas não corresponde ao mecanismo freudiano central da perversão fetichista.
- E)sublimação.
Errada: a sublimação desloca a pulsão para fins socialmente valorizados, o que não tem relação com a recusa da castração.
Gabarito: A
Freud, ao estudar o fetichismo, mostra que o sujeito pode reagir à descoberta da ausência de pênis na mãe sem abandonar totalmente a percepção da realidade. Em vez de simplesmente negar o que viu, ele cria uma solução de compromisso: aceita e recusa ao mesmo tempo a castração. É como se a mente dissesse: "eu sei, mas mesmo assim prefiro agir como se não soubesse". Esse tipo de defesa é a renegação, também chamada de desmentido ou recusa. Ela aparece especialmente nas perversões, em que o sujeito mantém duas posições psíquicas ao mesmo tempo, sem resolver o conflito. O fetiche entra justamente para tamponar a angústia ligada à castração, funcionando como substituto simbólico do pênis ausente. Por isso, o gabarito é a letra A. Freud descreve que, no fetichismo, há uma forma de saber e não saber simultaneamente: o sujeito reconhece a castração, mas a desmente para preservar seu equilíbrio psíquico. Esse mecanismo difere de recalque, foraclusão, denegação e sublimação, que têm lógica própria e não explicam esse "duplo jogo" típico da perversão. Em resumo: na cena do fetichismo, a mente não apaga o fato nem o admite de vez. Ela faz um acordo interno meio torto, mas muito eficiente para evitar a angústia.