Gladson é psicólogo recém-formado e passou a divulgar seu trabalho profissional em redes sociais, divulgando sua habilitação para tratamento de homossexuais que desejem ser curados. Sobre a conduta de Gladson, assinale a afirmativa correta.
- A)Só pode acontecer se ele tiver pós-graduação ou formação específica para esse tratamento.
Errada, porque pós-graduação não autoriza prática discriminatória nem permite tratar homossexualidade como algo a ser curado.
- B)Pode acontecer, independentemente de pós-graduação para essa proposta terapêutica, pois já é graduado.
Errada, porque a graduação em Psicologia não legitima intervenção contrária à ética profissional e à Resolução CFP n. 01/1999.
- C)Deve estar atrelada à divulgação do nome do supervisor que tenha competência nessa abordagem.
Errada, porque a irregularidade não se resolve com supervisão; a própria proposta de "cura" já é antiética e vedada.
- D)Não deve ser realizada, pois caracteriza forma de discriminação.
Certa, porque a divulgação de tratamento para "curar" homossexuais configura discriminação e viola as normas do CFP.
- E)Não deve ser realizada em mídias sociais, apenas em publicações do Jornal do CFP.
Errada, porque a vedação não depende do meio de divulgação; a prática é proibida em qualquer contexto.
Gabarito: D
A questão trata de uma regra muito cobrada em Psicologia: a homossexualidade não pode ser tratada como doença, desvio ou algo a ser "curado". Desde a Resolução CFP n. 01/1999, o Conselho Federal de Psicologia veda que a atuação do psicólogo contribua para práticas de patologização ou cura da orientação sexual. Em outras palavras: não existe habilitação profissional para prometer "cura" de homossexualidade, porque isso fere a ética e o próprio conhecimento científico da área. No caso, Gladson divulga nas redes sociais que está habilitado para tratar homossexuais que desejem ser curados. Isso é problemático em dobro: além de assumir uma lógica discriminatória, ele reforça a ideia de que a orientação sexual precisa ser corrigida. O psicólogo deve atuar com respeito à dignidade, à liberdade e à não discriminação, princípios presentes no Código de Ética Profissional do Psicólogo. Por isso, o gabarito é a letra D. A conduta não deve ser realizada, pois caracteriza discriminação e contraria a Resolução CFP n. 01/1999, que impede práticas voltadas à "reversão" ou "cura" da homossexualidade. A FGV gosta muito desse tipo de cobrança em que o candidato precisa perceber que a linguagem do enunciado já traz um vício ético. Resumo prático para a prova: psicólogo não trata orientação sexual como transtorno, não promete cura e não divulga serviço com essa finalidade. Se aparecer algo assim, a saída correta costuma ser barrar a conduta pela vedação ética e pela proteção contra discriminação.