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Psicologia · FGV · 2021

Questão comentada de Psicologia

Desde a terceira revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana (DSM – III), houve um abandono da noção de “psicose” enquanto categoria que designava uma classe de patologias diferente da “neurose”. Essa inflexão representou uma mudança de paradigma, cujo efeito foi

Gabarito: D

A virada do DSM-III foi bem importante: ele abandonou a velha lógica que separava os transtornos em duas grandes caixas, a da “psicose” e a da “neurose”. Em vez de explicar o sofrimento mental por uma leitura psicodinâmica ampla e por vezes pouco padronizada, o manual passou a buscar descrições mais objetivas, observáveis e padronizadas dos quadros clínicos. Isso ajudou a tornar o diagnóstico mais uniforme entre profissionais, o que é ótimo para pesquisa, estatística e comparação de casos. Essa mudança de paradigma não significou uma volta a explicações profundas de cunho psicanalítico, nem uma valorização do contexto cultural como eixo central da definição diagnóstica. Pelo contrário: o movimento foi de enfraquecimento dos pressupostos psicodinâmicos e de fortalecimento de uma linguagem mais descritiva e, em grande medida, fisicalista/biológica da patologia mental. Em sala de aula, pense assim: saiu a explicação do “por que interno e inconsciente” como centro do manual e entrou a descrição padronizada dos sintomas. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Ela capta exatamente o efeito histórico do DSM-III: menos dependência de modelos psicodinâmicos e mais aproximação de uma abordagem biomédica, com transtornos definidos por critérios operacionais. Essa virada é uma marca da psiquiatria contemporânea e ajuda a entender por que o DSM ficou tão influente no mundo todo.

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