Um ponto crucial que separa a psicanálise de boa parte das psicoterapias é o manejo técnico daquilo que inicialmente Freud considerava como resistência e, depois, como força motriz do tratamento. Designado como repetição de protótipos infantis no quadro da relação analítica, trata-se do conceito de
- A)transferência.
Correta, porque transferência é a repetição, na relação com o analista, de protótipos e vínculos infantis.
- B)complexo de castração.
Errada, porque complexo de castração é um conflito psíquico ligado à sexualidade infantil e não à repetição na relação terapêutica.
- C)pulsão de vida.
Errada, porque pulsão de vida se refere ao impulso de conservação, ligação e preservação da vida, não à dinâmica relacional descrita.
- D)pulsão de morte.
Errada, porque pulsão de morte diz respeito à tendência à redução de tensões e à repetição destrutiva, mas não define a relação analítica mencionada.
- E)narcisismo.
Errada, porque narcisismo envolve o investimento da libido no eu, e não a repetição de modelos infantis dirigida ao analista.
Gabarito: A
Na psicanálise, a relação entre analista e paciente não é um simples bate-papo terapêutico: ela reativa padrões antigos de vínculo, desejos e conflitos. É justamente aí que entra a ideia de repetição de protótipos infantis no setting analítico. Freud percebeu que aquilo que parecia “resistência” muitas vezes era, na verdade, o modo como o sujeito trazia para a sessão antigos modelos afetivos e relacionais. Esse fenômeno recebe o nome de transferência. Em termos bem diretos, o paciente desloca para o analista sentimentos, expectativas e modos de se relacionar que nasceram nas primeiras relações importantes da vida, especialmente na infância. Por isso a transferência é central na técnica psicanalítica: ela não é um obstáculo qualquer, mas o próprio material de trabalho do tratamento. A banca acertou ao cobrar esse conceito porque a frase “repetição de protótipos infantis no quadro da relação analítica” é praticamente uma definição clássica de transferência. Em outras psicoterapias, essa dinâmica pode até ser reconhecida, mas na psicanálise ela ganha status técnico especial e é manejada como via de acesso ao inconsciente. Então, se a questão falar em repetição de padrões infantis na relação com o terapeuta, pense imediatamente em transferência. É uma daquelas palavras que a psicanálise adora vestir de roupa simples, mas que carregam um peso enorme na clínica.