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Psicologia · FGV · 2021

Questão comentada de Psicologia

Um ponto crucial que separa a psicanálise de boa parte das psicoterapias é o manejo técnico daquilo que inicialmente Freud considerava como resistência e, depois, como força motriz do tratamento. Designado como repetição de protótipos infantis no quadro da relação analítica, trata-se do conceito de

Gabarito: A

Na psicanálise, a relação entre analista e paciente não é um simples bate-papo terapêutico: ela reativa padrões antigos de vínculo, desejos e conflitos. É justamente aí que entra a ideia de repetição de protótipos infantis no setting analítico. Freud percebeu que aquilo que parecia “resistência” muitas vezes era, na verdade, o modo como o sujeito trazia para a sessão antigos modelos afetivos e relacionais. Esse fenômeno recebe o nome de transferência. Em termos bem diretos, o paciente desloca para o analista sentimentos, expectativas e modos de se relacionar que nasceram nas primeiras relações importantes da vida, especialmente na infância. Por isso a transferência é central na técnica psicanalítica: ela não é um obstáculo qualquer, mas o próprio material de trabalho do tratamento. A banca acertou ao cobrar esse conceito porque a frase “repetição de protótipos infantis no quadro da relação analítica” é praticamente uma definição clássica de transferência. Em outras psicoterapias, essa dinâmica pode até ser reconhecida, mas na psicanálise ela ganha status técnico especial e é manejada como via de acesso ao inconsciente. Então, se a questão falar em repetição de padrões infantis na relação com o terapeuta, pense imediatamente em transferência. É uma daquelas palavras que a psicanálise adora vestir de roupa simples, mas que carregam um peso enorme na clínica.

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