Marina é psicóloga contratada pela Empresa Irmãos Unidos Ltda. e participa de processos de admissão de pessoal com mais dois psicólogos do RH. Em entrevista de seleção com João é informada de questões particulares que não possuem qualquer relação com o trabalho na empresa. De acordo com o Código de Ética Profissional do Psicólogo, assinale a opção que indica como Marina deve proceder diante de tais relatos.
- A)Deve reportar todas as informações colhidas na entrevista ao empregador.
Errada, porque não se deve repassar todas as informações ao empregador, já que o sigilo e a pertinência técnica limitam a divulgação.
- B)Deve apresentar os dados colhidos na entrevista que tenham relação com o cargo pretendido.
Certa, pois o psicólogo deve comunicar somente os dados relevantes para o cargo, preservando as informações sem relação com a função.
- C)Deve levar ao conhecimento do psicólogo chefe dos Recursos Humanos para que ele defina a conduta adequada.
Errada, porque a decisão ética não pode ser terceirizada automaticamente ao chefe do RH; cabe ao psicólogo observar o Código de Ética.
- D)Deve reportar algumas das informações colhidas na entrevista através de exemplos para o empregador.
Errada, pois mesmo a divulgação parcial não pode incluir dados sem relação com o trabalho, ainda que sejam apresentados como exemplos.
- E)Pode apresentar o conteúdo integral da entrevista, ressaltando que as informações não têm relação com o cargo.
Errada, porque o conteúdo integral da entrevista não pode ser revelado, mesmo com a observação de que certas informações não se relacionam ao cargo.
Gabarito: B
Quando a psicóloga atua em seleção de pessoal, ela não vira uma "caixinha de fofoca corporativa". O que aparece na entrevista precisa ser tratado com sigilo e com responsabilidade técnica, porque o Código de Ética Profissional do Psicólogo protege a intimidade da pessoa atendida e limita a divulgação ao que for necessário para a finalidade do trabalho. Se a informação é particular e não tem relação com o cargo, ela não deve ser repassada. No caso, Marina ouviu relatos de João que não possuem qualquer vínculo com a atividade na empresa. Então, ela deve filtrar o que pode ser compartilhado e divulgar apenas os dados que tenham pertinência com a função pretendida. Isso está em sintonia com o dever de resguardar o sigilo profissional e com a ideia de que a comunicação ao contratante deve ser técnica, objetiva e restrita ao necessário. A lógica é simples: o empregador não precisa saber da vida inteira do candidato, mas apenas de elementos que ajudem a avaliar a adequação ao posto de trabalho. A entrevista de seleção não autoriza exposição integral da fala do candidato. O psicólogo não é mensageiro de tudo o que ouviu, e sim profissional que transforma informações em parecer técnico relevante. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela traduz exatamente a conduta ética esperada: apresentar apenas os dados colhidos na entrevista que tenham relação com o cargo pretendido, sem violar a privacidade do candidato nem ampliar indevidamente a informação.