A Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10 indica que o aspecto essencial do transtorno obsessivocompulsivo (F 42) é (são)
- A)o juízo depreciativo ou ataraxia.
Errada, porque juízo depreciativo e ataraxia não definem TOC e remetem a outros conceitos psiquiátricos, sem relação com obsessões e compulsões.
- B)os pensamentos de morte ou atos compulsivos destrutivos.
Errada, porque pensamentos de morte e atos compulsivos destrutivos são mais ligados a quadros depressivos ou comportamentos autolesivos, não ao núcleo do TOC.
- C)o automatismo mental ou ansiedade específica.
Errada, porque automatismo mental é um termo de outro campo psicopatológico e ansiedade específica não caracteriza o aspecto essencial do transtorno.
- D)os pensamentos repetidos ou atos de impulsividade.
Errada, porque impulsividade não é a marca central do TOC; no transtorno, o que predomina são obsessões e compulsões repetitivas, não atos impulsivos.
- E)os pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes.
Certa, porque a CID-10 define o TOC pelo predomínio de pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes.
Gabarito: E
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), na CID-10, é marcado por duas peças centrais do quebra-cabeça: obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens que surgem de forma repetida, intrusiva e indesejada, quase como um “loop” mental que a pessoa tenta ignorar. Já as compulsões são atos ou rituais repetitivos que a pessoa sente que precisa fazer para aliviar a ansiedade ou evitar algum evento temido. Na prática, o sofrimento não está em “gostar” do ritual, mas em sentir-se pressionada por ele. A própria CID-10, ao tratar do F42, destaca que o aspecto essencial do transtorno é a presença de pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes. Isso é exatamente o que a alternativa E descreve. Repare que o enunciado pede o núcleo do transtorno, e não um sintoma qualquer associado a ansiedade, tristeza ou impulsividade. O ponto-chave é a recorrência, a intrusão e o caráter compulsivo/obsessivo. Em prova, a banca costuma brincar com termos parecidos, mas de outros quadros clínicos. TOC não é sinônimo de impulsividade, nem de delírio, nem de automatismo mental. Também não se confunde com depressão ou com comportamentos destrutivos. O rótulo certo, aqui, é a dupla obsessão-compulsão, tal como consolidada na CID-10. Então, se você viu a descrição de pensamentos repetidos e atos compulsivos recorrentes, pode marcar sem medo: essa é a formulação clássica do TOC na classificação internacional.