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Psicologia · FGV · 2021

Questão comentada de Psicologia

Angélica viveu por muitos anos em um hospital psiquiátrico onde foi internada em função de uma “crise de nervos”. As visitas da família foram se espaçando até que cessaram totalmente e não há notícia de contatos nos últimos quinze anos. A desinstitucionalização psiquiátrica de Angélica poderá ser conduzida

Gabarito: C

A desinstitucionalização psiquiátrica não significa apenas tirar a pessoa do hospital e pronto, como se bastasse abrir o portão e dizer "vai com Deus". A lógica da Reforma Psiquiátrica brasileira é substituir o modelo manicomial por cuidado em liberdade, com reinserção social e rede territorial de atenção. Isso vem na linha da Lei 10.216/2001, que protege os direitos da pessoa com transtorno mental e prioriza tratamento comunitário sempre que possível. Quando a pessoa passou muitos anos internada, perdeu vínculos familiares, sociais e comunitários. Nesses casos, a saída adequada não é forçar uma reintegração familiar inexistente nem mandá-la de volta ao hospital por outra via. O caminho é oferecer suporte real para reconstrução de laços e autonomia no território. É exatamente aí que entra o Serviço Residencial Terapêutico (SRT): moradia assistida na comunidade, destinada a pessoas egressas de longas internações psiquiátricas e sem suporte familiar suficiente. Ele faz parte da rede substitutiva do SUS e funciona como dispositivo de reabilitação psicossocial, favorecendo convivência, autonomia e reinserção social. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Angélica, após tantos anos institucionalizada e sem contato familiar, deve ser acolhida em serviço residencial terapêutico, e não simplesmente "devolvida" à família ou tratada como caso de internação eterna. A ideia central é cuidado em liberdade com suporte concreto, não abandono disfarçado.

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